Há uma grande novidade a caminho da Ucrânia no "grande negócio" feito por Trump

15 jul 2025, 16:58
Patriots (Getty)

Aliados da Ucrânia vão comprar armamento aos EUA e entregar à Ucrânia. Depois resta a questão que faz tremer o Ocidente: ainda há armas no bolso de Trump?

Há sistemas de defesa aérea Patriots, mísseis e os PAC-3 - as munições lançadas pelos sistemas Patriot - no acordo negociado entre a administração Trump e os aliados da NATO. Em suma, a ideia é os aliados europeus comprarem o armamento aos EUA e, posteriormente, entregarem-no a Kiev, com o propósito primário de potenciar a capacidade de defesa aérea ucraniana.

Ao New York Times, fonte das autoridades norte-americanas confirmaram que praticamente todas as armas em causa vão ficar de imediato disponíveis para serem enviadas para território ucraniano, o que significa que são provenientes do próprio arsenal dos EUA ou que acabaram de ser fabricadas.

As armas do "lucrativo negócio" de Trump

A Alemanha ofereceu-se para comprar dois sistemas Patriot - as baterias compostas por radar, centro de controlo, vários lançadores e os mísseis intercetores (PAC-1, PAC-2 ou PAC-3) - e a Noruega comprará o terceiro. Ainda assim, até ao momento, não é claro se as baterias de defesa antiaérea serão subtraídas ao stock do exército norte-americano, que tem mais sistemas deste tipo do que qualquer outro no mundo - mais de 60 dos 180 sistemas Patriot existentes no mundo são dos EUA, de acordo com rastreadores de armas do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, em Londres.

Sistema Patriot em ação. (U.S. Department of Defense/ASSOCIATED PRESS)

Isto porque Trump não deu qualquer sinal de comprometimento em vender parte do stock norte-americano de Patriots à Ucrânia e é também possível que estas baterias venham de governos fora da aliança de 32 países da NATO, sendo que doravante esses Estados ficariam com prioridade na compra de Patriots substitutos de fabrico norte-americano, tal como tem vindo a ocorrer ao longo da guerra da Ucrânia com outros tipos de armamento.

Trump destacou ainda que há um país, que até ao momento não foi identificado, que estará prestes a colocar no mercado os seus 17 sistemas Patriot, por “não precisar deles”. O New York Times noticia que esta pode ter sido uma referência aos 17 lançadores de Patriots que a fabricante Raytheon concordou vender à Suíça em 2020, juntamente com outras peças do sistema. De realçar, no entanto, que os lançadores são apenas uma das partes que compõem uma bateria de Patriots e não o sistema completo.

Quanto ao tipo de munições ou mísseis, nem Trump nem Rutte se alongaram em detalhes. Especula-se que a oferta destinada à Ucrânia possa incluir também o Sistema de Mísseis Táticos do Exército dos EUA Terra-Terra - conhecido como ATACMS -, tal como já aconteceu anteriormente.

Além disso, podem estar incluídas armas que a Kiev tem vindo a solicitar nos últimos tempos, mas que ainda nunca recebeu de Washington, DC, incluindo os Mísseis Conjuntos Ar-Terra - conhecidos como JASSMs - que têm um alcance superior aos ATACMS e podem ser disparados dos caças F-16 que os aliados europeus já enviaram para a Ucrânia. A confirmar-se, será a grande novidade deste novo pacote.

O que vai mudar no terreno de batalha?

As autoridades ucranianas têm vindo a considerar a defesa aérea como a principal prioridade e os Patriots como os sistemas que mais necessitam neste momento. O New York Times dá conta que, de acordo com as autoridades dos EUA, a Ucrânia terá neste momento no seu arsenal oito baterias Patriots, mas que duas delas já não estão em funcionamento.

A maioria dos sistemas Patriots presentes em solo ucraniano está posicionada ao redor da capital Kiev, mas essa decisão deixa todas as outras cidades ucranianas vulneráveis a ataques aéreos russos.

Para além dos Patriots, a Ucrânia tem outros sistemas de defesa antiaérea, mas estes são os únicos capazes de intercetar mísseis balísticos que são capazes de atingir alvos a centenas de quilómetros em poucos minutos.

“Se os sistemas Patriot forem enviados para a Ucrânia imediatamente, como Trump indicou, terão um efeito mais decisivo no campo de batalha”, refere Torrey Taussig, especialista da NATO e ex-funcionário do Pentágono, atualmente no Conselho do Atlântico Norte.

Os milhões que vão entrar na Economia dos EUA

Quando Trump falou em “negócio lucrativo”, não estava a hiperbolizar os números.

O New York Times lembra que o modelo mais barato de uma bateria Patriot custa cerca de mil milhões de dólares. Os JASSMs são vendidos, em regra-geral, por 3,7 milhões de dólares cada um. Por fim, os ATACMS tendem a ter um preço de um milhão de dólares ou mais por cada míssil.

“São milhares de milhões em equipamentos militares que vão ser comprados aos EUA e têm como destino a NATO”, disse Trump, garantindo que todo o armamento “será rapidamente distribuído pelo campo de batalha”.

Dos 180 sistemas Patriot existentes no mundo, pelo menos 60 pertencem aos EUA. (Fonte Getty)

Ainda há mais armas na bolsa de Trump?

O alerta tem vindo a ser feito vezes e vezes sem conta por vários especialistas militares e há muito que as autoridades militares norte-americanas temem que a guerra da Ucrânia esgote os stocks militares.

Um cenário de escassez de armamento nos EUA colocará em risco as tropas e os interesses de Washington, DC no estrangeiro.

A única garantia de abundância bélica foi deixada por Mark Rutte, que assegura que tudo o que o Pentágono vende de seus próprios estoques não reduziria o que é “necessário para defender este país”, acrescentando que este novo acordo “significará que a Ucrânia poderá colocar as mãos em quantidades realmente enormes de equipamento militar”.

Lado a lado com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, Donald Trump disse, esta segunda-feira na Sala Oval da Casa Branca, que este “é um acordo muito importante”. O presidente dos EUA referia-se não ao que fará pela Ucrânia no campo de batalhar, mas ao facto de estes ser um acordo altamente lucrativo para os cofres norte-americanos.

“Países muito ricos compram os melhores equipamentos do mundo, e nós temos os melhores equipamentos do mundo”, afirmou Trump: “Fabricamos como mais ninguém.”

De acordo com Mark Rutte, há pelo menos oito países da NATO dispostos a pagar pelo armamento norte-americano e é “totalmente lógico” que Trump queira ser pago para ceder os equipamentos. O secretário-geral NATO elogia ainda o presidente norte-americano por estar a ajudar a Ucrânia a obter "o que precisa para se poder defender contra a Rússia".

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