"Guerra na Europa para lá da Ucrânia? Claro que é uma possibilidade"

1 jul, 19:59
Pekka Haavisto, ministro dos Negócios Estrangeiros da Finlândia (AP)

Ministro dos Negócios Estrangeiros da Finlândia afirma que a arquitetura securitária da Europa "falhou" e que o continente vive uma "nova realidade"

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Finlândia, Pekka Haavisto, considera que uma guerra na Europa para lá da Ucrânia “é uma possibilidade”. “Claro que é uma possibilidade e é por isso que é importante apoiar a Ucrânia neste momento. Se a Ucrânia perde, este impulso pode propagar-se para outros países”, afirmou em entrevista à CNN Internacional, garantindo que, com o apoio da comunidade internacional, Kiev conseguirá “vencer” a guerra. “Têm a autoridade moral, estão muito unidos. Precisam da nossa ajuda.”

Sobre o apoio concedido à Ucrânia, Haavisto refere que houve alguma “hesitação” no início, dado que o destino das armas não poderia ser controlado, mas que depressa foi resolvida, confessando “surpresa” com a forma como os ucranianos protegeram a sua soberania. O governante salienta ainda o grande apoio que Helsínquia e Estocolmo têm recebido dos membros da NATO.

“Temo-nos encontrado com muitos senadores dos EUA, conseguimos ver que há consenso bipartidário no Senado e, em muitos parlamentos de outros países, já se debate este assunto [adesão de Suécia e Finlândia à NATO]. A pressão estava lá mas apreciamos muito o que os outros países têm feito.”

Questionado sobre o porquê da adesão à Aliança Atlântica após décadas de neutralidade, Haavisto lembrou que este estatuto acabou em 1995. “O estatuto de neutralidade finlandesa que conhecemos acabou quando aderimos à União Europeia. Mas o apoio à adesão à NATO começou a 24 de fevereiro. Vimos que a arquitetura securitária da Europa estava quebrada e não conseguiu prevenir a guerra. Sempre acreditámos no Ato Final de Helsínquia, tínhamos observadores no leste da Ucrânia. Tudo isso desapareceu num dia”, diz, considerando que se vive uma “nova realidade” na Europa, marcada por uma nova “cortina de ferro” com a Rússia.

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