Grupo Wagner tenta recrutar na Sérvia e a Rússia até pode ficar a perder com isso

20 jan, 10:48
Mural do Grupo Wagner pintado em Belgrado, Sérvia (Darko Vojinovic/AP)

Resistente à aplicação de sanções contra Moscovo, Sérvia pode estar em vias de mudar a sua posição sobre a guerra

Um vídeo partilhado pelo Grupo Wagner está a causar polémica na Sérvia, país que tem resistido a condenar a invasão russa da Ucrânia, uma vez que convida cidadãos sérvios a voluntariarem-se para combater do lado russo.

Quem não achou piada foi o presidente da Sérvia, que, num discurso através da televisão nacional, se mostrou irritado com o vídeo gravado em sérvio, e que encoraja o recrutamento de mais voluntários para a guerra.

“Porque é que vocês, [Grupo] Wagner, chamam alguém da Sérvia quando sabem que é contra as nossas regras?”, perguntou Aleksandar Vucic.

A Sérvia tem sido constantemente acusada de priorizar a sua longa relação com a Rússia em detrimento de se aliar à posição conjunta do Ocidente, mesmo que isso lhe custe a tão ambicionada entrada na União Europeia, sobretudo porque o país continua a resistir à aplicação de sanções, o que levou vários eurodeputados a pedirem a suspensão das negociações de adesão.

Posição essa que parece estar a mudar, pelo menos a julgar pelos mais recentes atos. Aleksandar Vucic afirmou que não fala com Vladimir Putin há “vários meses”, enquanto o governo sérvio anunciou, ainda esta quinta-feira, o envio de equipamento para ajudar a Ucrânia a manter a sua rede energética.

"O governo sérvio decidiu enviar ajuda humanitária em equipamento prioritário para a Ucrânia com o objetivo de apoiar a rede elétrica do país", pode ler-se no comunicado assinado pelos ministros da Defesa e do Interior.

O poder político segue, assim, os tribunais, que já condenaram dezenas de sérvios que terão combatido pelas forças russas no Donbass desde 2014, oficialmente à revelia do Estado, uma vez que é ilegal para os sérvios combaterem em conflitos estrangeiros. Refira-se, ainda assim, que a Sérvia nunca declarou apoio à invasão russa, mantendo-se genericamente neutral, mas tendo já votado a favor das resoluções da Organização das Nações Unidas que condenaram a agressão.

Também esta quinta-feira deu entrada nos tribunais sérvios uma queixa contra o embaixador russo no país e contra o chefe dos serviços secretos da Sérvia por, alegadamente, tentarem recrutar cidadãos do país para o Grupo Wagner.

O Grupo Wagner tem uma presença visível na Sérvia, nomeadamente na capital, Belgrado, onde é comum verem-se murais pintados com símbolos da organização paramilitar que serve, de forma não oficial, o exército russo.

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