Primeiro-ministro reagiu às informações vindas da Rússia e lembrou que também a União Europeia defende o mesmo, até porque Bruxela "não pode estar eternamente dependente" dos esforços dos Estados Unidos
O Governo português concorda com a visão do presidente da Rússia: é preciso que Bruxelas e Moscovo também conversem.
À saída de um debate quinzenal aceso que meteu muitas figuras de desenhos animados, Luís Montenegro defendeu que a Europa “deve tomar a iniciativa” de iniciar um processo de paz bilateral, o que engloba naturalmente a Ucrânia, mas também a Rússia.
“[Disponibilidade da Rússia] vai ao encontro do que tenho dito e que já alguns dos meus colegas da União Europeia têm dito. O processo de paz carece também de sentar à mesa a Rússia”, começou por dizer.
Luís Montenegro entende que a Europa “não pode estar eternamente dependente da intermediação de responsáveis que, com todo o empenho e com todo o mérito, têm diligenciado no sentido de garantir uma paz justa e duradoura na Ucrânia”.
O primeiro-ministro português referia-se, naturalmente, à intervenção dos Estados Unidos, que têm liderado os esforços para juntar Rússia e Ucrânia à mesma mesa, o que ficou mais difícil com o início da guerra no Irão.
Agora, e seguindo uma visão que Bruxelas e Moscovo parecem partilhar, também Portugal está de acordo: a Rússia tem de vir para uma mesa de negociações em que a Europa também esteja sentada.
De referir que Luís Montenegro fez estas afirmações minutos depois de o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, ter afirmado que Vladimir Putin estava pronto para negociar a paz diretamente com a Europa, algo que a Rússia vê agora como indispensável.
A grande diferença parece ser, por agora, o nome escolhido para Bruxelas para representar os interesses europeus, já que a figura proposta por Vladimir Putin não acolheu apoio no seio dos 27. De recordar que o presidente da Rússia sugeriu Gerhard Schröder, antigo chanceler alemão, para liderar o processo, mas a proximidade do antecessor de Angela Merkel ao Kremlin fez a Europa torcer o nariz.
Em vez disso têm surgido outros nomes como a própria Angela Merkel, Mario Draghi, Emmanuel Macron ou até António Costa.
