"Fugiram como corredores olímpicos". Ucrânia explica estratégia que está a ser um sucesso contra a Rússia

12 set, 17:05
A bandeira ucraniana voltou a Balakliia (Juan Barreto/Getty Images)

Forças ucranianas dizem que esperavam ter sucesso, mas nunca anteciparam um desfecho tão "cobarde"

A Ucrânia conseguiu recuperar cerca de três mil quilómetros quadrados à Rússia em apenas seis dias. Esse é o resultado de uma contraofensiva que está a ter grande sucesso no nordeste do país, nomeadamente em Kharkiv, região onde fica a segunda maior cidade ucraniana, com o mesmo nome, e de onde os russos tiveram de se retirar, algo que foi justificado como um “reagrupamento” para cumprir os objetivos de libertação do Donbass.

Um movimento militar que demorou várias semanas a preparar, e que teve uma grande estratégia, incluindo de desinformação. O comandante Petro Kuzyk, que teve parte ativa no ataque, explicou ao Financial Times que “a contraofensiva foi planeada durante muito tempo”.

“Degradámos o potencial deles com ataques constantes e eficazes. As Força Armadas também os distraíram levando-os a pensar que a grande contraofensiva seria no sul”, referiu, confirmando aquilo que outros militares já tinham dito, numa revelação que confirma também as várias notícias e afirmações ucranianas da ofensiva para retomar as regiões de Kherson e Zaporizhzhia como desinformação. O objetivo, que foi conseguido, era que a Rússia desviasse grande parte do seu contingente para aquelas regiões a sul, ao mesmo tempo que Kiev se preparava para atacar a norte.

Quando, há uma semana, e de forma inesperada, Petro Kuzyk e as suas forças começaram a cercar localidades como Balakliia, Izium ou Kupiansk, tudo na zona de Kharkiv, confrontados com algo inesperado, os russos só tiveram tempo para retirar do local, até porque a presença militar tinha sido substancialmente diminuída pela deslocação de forças para o sul.

“Esperávamos ter sucesso, mas nunca um comportamento tão cobarde”, afirmou o militar, que contou que naquelas cidades encontraram munições valiosas e algumas armas, um sinal de que o inimigo tinha batido em retirada sem preparação.

“Abandonaram tanques e equipamento. Até pegaram em bicicletas para fugir. Um exército russo completamente degradado facilita o nosso trabalho. Eles fugiram como corredores olímpicos”, acrescentou Petro Kuzyk, imprimindo uma dose de ironia às suas declarações.

Esta vitória ucraniana está a ser vista por Kiev como uma possível mudança de rumo, sendo que se trata da segunda grande derrota da Rússia na guerra, depois de Moscovo ter mandado retirar as tropas que cercavam a capital ucraniana. O ministro da Defesa da Ucrânia, Oleksii Reznikov, fala mesmo numa estratégia de “David contra Golias”, que, em grande parte, teve como objetivo colocar de lado a vantagem militar que a Rússia tinha, privando Moscovo das suas armas, muitas delas, como disse Petro Kuzyk, deixadas para trás.

O sucesso da contraofensiva está a ser tal que as palavras do presidente da Ucrânia são de grande esperança. "Julgo que este inverno é um ponto de inflexão e pode implicar uma rápida desocupação da Ucrânia. Vemos como [as forças russas] estão a fugir em algumas direções. Se formos um pouco mais fortes com as armas, poderemos desocupar mais rapidamente", disse Volodymyr Zelensky, que espera poder terminar a guerra ainda este inverno.

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