Delegações russa e ucraniana concordaram apenas com novas trocas de prisioneiros
As delegações ucraniana e russa voltaram a encontrar-se em Istambul, na Turquia, para mais uma ronda de negociações de paz, um encontro que durou apenas 40 minutos e que pouco contribuiu para o fim da guerra.
Entre os temas em cima da mesa estiveram mais trocas de prisioneiros, acusações sobre crianças deportadas vindas dos dois lados e a sugestão russa de vários momentos de cessar-fogo de 24 a 48 horas.
"Mais uma vez, propusemos ao lado ucraniano que considere (...) estabelecer breves tréguas de 24 a 48 horas nas linhas da frente para que as equipas médicas possam retirar os feridos e os comandantes possam recuperar os corpos dos seus soldados", adiantou Vladimir Medinsky na conferência de imprensa após o encontro.
"Algumas das crianças já foram devolvidas à Ucrânia. As restantes estão a ser tratadas. Se os seus pais legais, familiares próximos e representantes forem encontrados, estas crianças regressarão imediatamente a casa", assegurou ainda Medinsky.
Rustem Umerov, ex-ministro da defesa da Ucrânia, contrariou as declarações do opositor, dizendo que Kiev estava à espera de “mais progressos” em relação aos prisioneiros de guerra e que continuam “a insistir na libertação dos civis, incluindo as crianças” - Kiev estima que pelo menos 19.000 crianças tenham sido deportadas à força.
O chefe da delegação ucraniana revelou também que a Ucrânia propôs uma reunião entre Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin a realizar-se antes do final de agosto, acrescentando que, "ao concordar com esta proposta, a Rússia pode demonstrar claramente a sua abordagem construtiva". Contudo, do lado russo, Vladimir Medinsky respondeu que o objetivo de uma reunião de líderes deveria ser a assinatura de um acordo e não “discutir tudo do zero”.
Medinsky renovou o apelo de Moscovo a uma série de cessar-fogos curtos, de 24 a 48 horas, para permitir a recuperação dos corpos. A Ucrânia discorda e afirma que pretende um cessar-fogo imediato e muito mais longo.
Para além disso, acordaram-se novas trocas de prisioneiros e de corpos daqueles que foram mortos nos combates.
Sendo a paz ou um acordo de cessar-fogo duradouro o propósito destes encontros não parecem ter sido dados quaisquer passos na direção certa.
Após o fim da reunião das delegações russa e ucraniana, Volodymyr Zelensky saudou, no X, o regresso de mais de mil ucranianos. "Os combatentes doentes e gravemente feridos estão a regressar a casa", disse Zelensky nas redes sociais, revelando que mais de mil reclusos já regressaram à Ucrânia no âmbito das trocas acordadas na Turquia.
Já nos Estados Unidos, o Pentágono deu luz ver às vendas de armamento à Europa – que será reencaminhado prontamente para Kiev - avaliadas em 150 milhões de dólares. Este novo encontro em Istambul acontece depois de Donald Trump ter ameaçado Moscovo com sanções e aumento de tarifas caso a Rússia não chegue a um acordo de paz com Kiev no prazo de 50 dias, ou seja, antes de setembro.
Kiev e os aliados ocidentais acusam Moscovo de bloquear as negociações ao manter exigências maximalistas, enquanto o exército russo, mais numeroso e melhor equipado, prossegue os bombardeamentos e os ataques na linha da frente, onde continua a ganhar terreno.
A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.
Os aliados de Kiev também têm decretado sanções contra setores-chave da economia russa para tentar diminuir a capacidade de Moscovo de financiar o esforço de guerra na Ucrânia.