"Falta de compreensão da guerra moderna". Soldados "escravos" norte-coreanos ao serviço da Rússia não sabem porque estão a combater

13 jan 2025, 09:03
Soldado norte-coreano feito prisioneiro pela Ucrânia (Presidência ucraniana/Anadolu via Getty Images)

Informações reunidas pelos serviços secretos da Coreia do Sul apontam vários problemas na gestão da guerra. Um vídeo partilhado por Volodymyr Zelensky confirma muitas expectativas

Pelo menos 300 mortos e 2.700 feridos. Esta é a conta feita pelos serviços secretos da Coreia do Sul relativamente às baixas de soldados norte-coreanos na guerra da Ucrânia, onde milhares de militares chegaram vindos de Pyongyang para ajudarem a Rússia a cumprir os seus objetivos, nomeadamente na recuperação de Kursk, parcialmente ocupada por Kiev desde agosto.

Mas nem tudo está a correr como Moscovo esperaria, já que o apoio que chegou parece estar mal-preparado para o cenário de guerra. De acordo com o Serviço Nacional de Informações da Coreia do Sul, que partilhou dados com os deputados sul-coreanos numa reunião que decorreu à porta fechada na Comissão de Serviços Secretos, há entre os soldados norte-coreanos “baixas maciças”.

E tudo porque existe uma “falta de compreensão da guerra moderna”, até porque nenhum dos soldados envolvidos no combate por Moscovo terá experiência real de guerra, já que a última vez que a Coreia do Norte esteve em conflito declarado foi em 1953.

Segundo o deputado Lee Seong-kweun, que pertence ao Partido do Poder Popular, atualmente no poder, os soldados norte-coreanos têm várias dificuldades, incluindo atos “inúteis” de disparar contra drones de longo alcance.

Tudo isto, segundo a agência Yonhap, que teve conhecimento do que se passou na reunião em Seul, baseia-se em análises feitas a vídeos obtidos pelos serviços secretos. Outra das informações que surgiu foi que Pyongyang terá instruído os seus soldados a matarem-se para evitarem ser apanhados com vida.

Estas informações são reveladas um dia após o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ter divulgado um vídeo em que dois soldados norte-coreanos são interrogados pelas forças ucranianas. “O prisioneiro de guerra não expressou a sua intenção de vir para a Coreia do Sul”, garantiu Lee Seong-kweun, colocando a hipótese de que alguns destes soldados possam querer desertar da Coreia do Norte.

Num vídeo com quase três minutos, que Volodymyr Zelensky partilhou nas suas redes sociais, um dos soldados afirmou que prefere continuar na Ucrânia a regressar a casa. O mesmo militar garantiu que não sabia para onde estava a ser destacado, sublinhando que não sabia que estava a combater contra a Ucrânia.

O presidente ucraniano mostrou-se disponível a negociar a devolução dos prisioneiros norte-coreanos em troca de soldados ucranianos. O Serviço Nacional de Informações da Coreia do Sul garantiu que vai entrar em contacto com Kiev caso algum soldado peça um repatriamento para a Coreia do Sul, até porque “os norte-coreanos são considerados cidadãos sul-coreanos em termos de valores constitucionais”.

Os serviços secretos sul-coreanos notam ainda que começa a haver um maior conhecimento na Coreia do Norte sobre o que se está a passar e para onde estão a ser enviados os soldados, que até ao momento totalizam mais de 10 mil. Garante a Coreia do Sul que várias famílias temem que os seus homens estejam a ser destacados como “soldados escravos” e “carne para canhão”.

Seul revelou ainda que várias informações recolhidas no terreno apontam que o governo da Coreia do Norte tem providenciado compensação às famílias afetadas, nomeadamente comida e bens de primeira necessidade.

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