Europa enfrenta “situação assustadora” depois das misteriosas fugas no gasoduto russo

CNN , Matt Egan
1 out, 16:18

Antigo regulador da energia norte-americano diz que a Europa se tornou “um lugar arriscado”

A aparente sabotagem dos gasodutos Nord Stream da Rússia sublinha as enormes vulnerabilidades energéticas da Europa, diz à CNN Neil Chatterjee, antigo regulador de energia dos EUA.

“É uma situação assustadora. Eles [os europeus] estão basicamente à espera e a rezar por um Inverno ameno”, afirma Chatterjee, antigo comissário e presidente da Comissão Federal de Regulação Energética, numa entrevista por telefone. “[A Europa] é um lugar arriscado, arriscado para se estar".

Funcionários oficiais do Ocidente e dos Estados Unidos disseram que as explosões e fugas inexplicáveis no Nord Stream 1 e no Nord Stream 2 têm as marcas da sabotagem. Nenhum dos gasodutos estava atualmente em funcionamento, mas o incidente levanta outras questões sobre o fornecimento de energia à Europa.

“Estas fugas matam qualquer esperança de que este gasoduto possa ajudá-los a ultrapassar este Inverno. Isto não é uma saída de emergência para os nossos aliados europeus", disse Chatterjee, que é agora um consultor sénior da firma de advogados Hogan Lovells. “Isto será um problema para vários Invernos à frente”.

As cotações dos futuros europeus de gás natural dispararam esta semana com a explosão no gasoduto, embora desde então tenham recuado em relação aos seus máximos. Ainda assim, os preços da energia atingiram níveis esmagadores, que correm o risco de conduzir a economia europeia a uma recessão.

“Muito perigoso”

Nos últimos anos, a Europa encerrou centrais elétricas a carvão e centrais nucleares, deixando-a mais dependente do gás natural da Rússia.

Mas depois de a Rússia ter invadido a Ucrânia, os funcionários europeus cancelaram os planos para o Nord Stream 2, um gasoduto que estava destinado a fornecer grandes quantidades de gás à Europa Ocidental. E depois, este Verão, a Rússia cortou os fluxos de gás através do Nord Stream 1, aparentemente em retaliação às duras sanções ocidentais.

Chatterjee recusa-se a dizer quem poderá estar por detrás das explosões no gasoduto nem quais serão as suas motivações, embora tenha admitido que é “muito claro” que o Presidente russo, Vladimir Putin, tem estado a “usar o gás como arma”.

“Este é mais um exemplo do porquê de ser tão perigoso não só estar amarrado a um potencial adversário, mas também ter opções limitadas", afirma.

A Rússia negou ter atacado os gasodutos, chamando à acusação “previsivelmente estúpida e absurda”. Moscovo lançou também a sua própria investigação.

“Batalha existencial”

Ainda assim, alguns investidores em Wall Street acreditam que as impressões digitais de Putin estão por toda a parte nas misteriosas explosões dos gasodutos.

“Vemos a provável sabotagem submarina dos gasodutos Nord Stream 1 e 2 esta semana como um possível tiro de aviso ao Ocidente de que nenhuma infraestrutura está segura e de que o líder russo está preparado para aoptar uma estratégia de ‘terra queimada’ para tentar fazer com que o Ocidente renuncie ao seu apoio à Ucrânia e às sanções", escreveu Helima Croft, chefe da estratégia global de produtos de base da RBC Capital Markets, numa nota aos clientes.

Croft, uma antiga analista da CIA, alertou para o risco de interrupções adicionais do fornecimento de energia impulsionados pela Rússia, que se mantêm nos “níveis DEFCON 3” [níveis de defesa dos EUA], incluindo uma potencial retenção nas exportações de petróleo do país.

“Pensamos que estão a surgir mais atos assimétricos e perturbadores, à medida que nos dirigimos para o Inverno”, escreveu Croft. “Esta parece ser uma batalha existencial para o líder russo, e a derrota na Ucrânia poderá ter implicações potencialmente muito adversas para a sua segurança profissional e pessoal”.

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