"Estão a lançar cinco a sete bombas a cada três minutos". Rússia já ocupou nove aldeias em Kharkiv e generais temem o pior

CNN Portugal , HCL
13 mai, 19:48
Ataque russo a Kharkiv, 20 de março de 2024 (AP/Efrem Lukatsky)

Situação militar na segunda maior cidade da Ucrânia está a tornar-se cada vez mais crítica. Ao mesmo tempo que as tropas russas continuam a conseguir avanços significativos na região, o chefe dos serviços secretos militares ucranianos descreve uma realidade "à beira do abismo"

O exército ucraniano está a enfrentar sérias carências de tropas ao mesmo tempo que as forças russas continuam a avançar em direção a Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia. A situação escalou rapidamente após uma grande incursão russa na semana passada, resultando na ocupação de pelo menos nove aldeias e um êxodo em massa de civis.

Ao The New York Times, o general Kyrylo Budanov, chefe dos serviços secretos militares ucranianos, descreveu o estado atual como “à beira do abismo”. "A cada hora, a situação piora”, afirmou, salientando o estado precário das defesas naquela região.

A recente ofensiva russa parece estrategicamente projetada para esticar as já escassas forças ucranianas, desviando atenção e recursos de outras áreas críticas. Budanov admitiu também a possibilidade de realocar tropas de diferentes linhas da frente para fortalecer as posições no nordeste do país, embora a falta de pessoal permaneça um obstáculo significativo.

Quando, na semana passada, tropas russas cruzaram a fronteira e abriram uma nova linha de ataque perto de Kharkiv, o resultado foi a captura de pelo menos nove aldeias, levando milhares de civis a fugir. “A situação está no limite”, reforçou Kyrylo Budanov. A difícil situação da Ucrânia é agravada pelo atraso na ajuda militar dos Estados Unidos. No valor de 60,8 mil milhões de dólares (cerca de 56 mil milhões de euros), este apoio apenas começou a chegar após um longo impasse político no Congresso e ocorre num momento em que as forças ucranianas estão desesperadamente carentes de munições.

No campo de batalha, a intensidade do conflito é palpável. O tenente Denys Yaroslavsky, atualmente engajado em combate nos arredores de Vovchansk, o militar dá igualmente conta de bombardeamentos russos constantes: "Eles estão a lançar cinco a sete bombas a cada três minutos”, referiu ao diário norte-americano. 

A situação humanitária é igualmente alarmante, com voluntários a navegar sob constante bombardeio para resgatar os poucos centenas de residentes que ainda se encontram em Kharkiv.

Perante tudo isto, as autoridades ucranianas temem uma maior implantação de forças russas na região, dependendo das próximas descisões estratégicas de Moscovo. Olhando para o horizonte, Budanov antecipa que os atuais assaltos persistirão por vários dias, com as tropas russas a eventualmente se deslocarem para o norte em direção à região de Sumy. 

As forças ucranianas permanecem em alerta máximo. Pavlo Velycho, um oficial ucraniano que atua perto da fronteira russa na região de Sumy tem vindo a comunicar um aumento de bombardeamento ao redor da cidade. "Não tenho ideia se isso significa alguma coisa, porque esses lugares já eram frequentemente bombardeados. De qualquer forma, estamos em plena prontidão para o combate", referiu ao New York Times.

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