"Escolham a dignidade": Zelensky apela aos soldados russos para se renderem e Rússia intensifica ataque em Kiev. O que aconteceu esta madrugada

15 mar, 06:30

Se o dia ficou marcado pela quarta ronda de negociações entre a Rússia e Ucrânia - interrompida devido à escalada da violência em Kiev e arredores - à noite voltaram a soar as sirenes de alerta na capital, mas também a sul (em Odessa), no centro (em Uman) e a ocidente (na região de Khmelnytsky)

Ao vigésimo dia de guerra, o cerco continua a apertar em Kiev. Pouco passava das 5:00 desta terça-feira (3:00 em Portugal Continental) quando se voltaram a ouvir explosões na capital ucraniana.

Os jornalistas da CNN Internacional no terreno dão conta de, pelo menos, duas grandes explosões no lado ocidental de Kiev. Imagens captadas pelas câmaras de videovigilância mostram os clarões que se vêem do centro da cidade.

A agência de noticias Ukrinform dá conta que um edifício residencial em Kiev estará em chamas em após as explosões que foram ouvidas na capital. De acordo com os Serviços de Emergência da Ucrânia, através de um comunicado no Telegram, o ataque terá feito dois mortos. As autoridades acabaram por atualizar esse número para quatro vítimas mortais.

Negociações prosseguem hoje

No final de um dia que ficou também marcado pela quarta ronda de negociações entre a Rússia e Ucrânia, interrompida devido à escalada da violência em Kiev e arredores, o presidente ucraniano confirmou que as conversações vão prosseguir esta terça-feira. Contudo, na habitual declaração diária, Volodymyr Zelensky intensificou o discurso contra Moscovo.

Num vídeo publicado nas redes sociais, Zelensky falou em ucraniano e depois em russo, para apelar às tropas russas para escolherem renderem-se sobre a "vergonha" de continuar com a guerra. Eis o trecho do discurso do presidente da Ucrânia em russo, traduzido para português:

"Quero dizer aos soldados russos, àqueles que já entraram nas nossas terras e àqueles que estão a ser enviados apenas para lutar contra nós. Soldados russos, por favor, ouçam-me com atenção. Aos oficiais russos, vocês já entenderam tudo. Não poderão levar nada da Ucrânia. Vocês tirarão vidas – e vocês são muitos – mas as vossas também serão tiradas. Porque é que estão a morrer? Eu sei, vocês querem sobreviver. Ouvimos nas vossas ligações interceptadas o que realmente pensam desta guerra, desta vergonha e do vosso Estado. As vossas conversas uns com os outros, as ligações para famílias, nós ouvimos tudo. Tiramos conclusões. Nós sabemos quem é que vocês são. É por isso que vos ofereço uma escolha: em nome do povo ucraniano, damos-vos a hipótese de viver. Se vocês se renderem às nossas forças, vamos tratá-los como os humanos devem ser tratados: com dignidade. A maneira como não foram tratados no vosso exército. E na forma como o vosso exército não trata o nosso povo. Escolham".

Volodymyr Zelensky agradeceu também à produtora que esta segunda-feira interrompeu um noticiário russo em direto para exibir um cartaz antiguerra. Trata-se de Marina Ovsyannikova, produtora da televisão estatal Russia-1. Interrompeu a emissão que estava a ser conduzida pela colega Ekaterina Andreeva, exibindo um cartaz por trás da pivot, que dizia "Não à guerra. Não acreditem em propaganda. Eles estão a mentir. Parem a guerra".

Marina Ovsyannikova acabou por ser detida, desconhecendo-se a sua situação atual. Antes de interromper a emissão, a produtora tinha gravado um vídeo onde pedia desculpa pelo seu trabalho naquela televisão estatal, dizendo que o que estava a acontecer na Ucrânia era crime e que Vladimir Putin era um agressor.

Aconteceu esta madrugada

A Rússia terá pedido à China mísseis, drones e blindados. É o que diz o Financial Times, que adianta que Pequim respondeu positivamente ao pedido de Moscovo. Já a CNN Internacional apurou que os russos solicitaram que Pequim forneça comida pré embalada para os soldados russos que combatem em território ucraniano. A China nega as afirmações dos oficiais norte-americanos e acusa Washington de "disseminar desinformação que pode escalar o conflito".

Líderes da NATO estão a ponderar reunir-se na próxima semana, numa sessão extraordinária e presencial em Bruxelas. Notícia que surge após várias fontes da Casa Branca terem confirmado que Joe Biden está a preparar uma viagem à Europa.

Mais de 40 mil sírios registaram-se para viajar para a Ucrânia, segundo avança o Observatório dos Direitos Humanos da Síria. A organização não governamental adianta que estes soldados deixaram o país esta segunda-feira, para lutar do lado do exército russo.

A Espanha fez a primeira apreensão de um mega-iate de um oligarca russo. O primeiro-ministro Pedro Sánchez assegurou que este tipo de ação se repetirá nos próximos dias. "Hoje apreendemos - o termo técnico é 'imobilizado provisoriamente' - um iate pertencente a um dos principais oligarcas", disse o primeiro-ministro espanhol, adiantando que "estamos a falar de um iate que estimamos que vale 140 milhões de euros". O mega-iate Valerie, de 85 metros, estava no porto de Barcelona e pertence Sergei Chemezov, um antigo oficial do KGB que dirige o conglomerado estadual Rostec, segundo duas fontes citadas pela Reuters.

Japão junta-se às sanções do G7 contra a Rússia. O Secretário-geral do Gabinete do Japão, Hirokazu Matsuno, afirmou que o Japão agirá em linha com as outras nações do G7, apropriadamente, nas sanções contra a Rússia. Também ao início da madrugada desta terça-feira, o Ministério das Finanças japonês anunciou um congelamento dos bens de 17 cidadãos russos através da regulação de pagamentos e transações de capitais.

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