Galati, onde ocorreu o incidente, situa-se na fronteira com a Ucrânia, no extremo sudeste da Roménia. Do outro lado da fronteira fica Izmail, onde se encontra o maior porto ucraniano no rio Danúbio e um alvo frequente de ataques russos
Um drone russo carregado com explosivos atingiu um prédio de apartamentos na Roménia na madrugada desta sexta-feira, ferindo duas pessoas, anunciou o governo romeno, numa altura em que as forças de Moscovo atacavam um porto ucraniano próximo.
O ataque motivou uma rápida condenação da União Europeia e da NATO, com o embaixador dos Estados Unidos junto da NATO, Matthew Whitaker, a classificar o incidente como uma “incursão imprudente”.
“Vamos defender cada centímetro do território da NATO”, escreveu na rede social X.
Ao mesmo tempo, Bucareste está a pressionar os aliados para reforçarem as suas defesas antidrones, refletindo preocupações crescentes de que a guerra da Rússia na Ucrânia possa alastrar ainda mais pelo continente europeu.
O drone atingiu o telhado de um edifício em Galati, perto da fronteira com a Ucrânia, disse à afiliada da CNN, Antena 3 CNN, um porta-voz do Ministério da Defesa romeno.
“Este drone entrou no espaço aéreo nacional à 01:54 e dirigiu-se para a zona leste da cidade de Galati, mas perdemo-lo do radar a sul de Galati”, afirmou o coronel Cristian Popovici.
A ministra dos Negócios Estrangeiros da Roménia, Oana-Silvia Toiu, escreveu no X que tinha “confirmação do Ministério da Defesa Nacional de que o drone que caiu num edifício residencial em Galati era de origem russa”.
As imagens mostram o telhado do bloco de apartamentos visivelmente queimado, enquanto equipas de emergência e investigadores inspecionavam o local do impacto esta manhã. Os militares romenos disseram que “não houve oportunidade” para abater o drone, mas sublinharam que a “situação está sob controlo”.
“Não estamos perante um ataque à Roménia, estamos perante os efeitos de um conflito que decorre mesmo ao lado da nossa fronteira”, afirmou o brigadeiro-general Gheorghe Maxim, vice-comandante do Comando das Forças Conjuntas.
Galati situa-se na fronteira com a Ucrânia, no extremo sudeste da Roménia. Do outro lado da fronteira fica Izmail, onde se encontra o maior porto ucraniano no rio Danúbio e um alvo frequente de ataques russos.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy Sybiha, afirmou que o incidente “provou mais uma vez que a agressão russa representa uma ameaça real para a região do Mar Negro e para toda a Europa”.
Sensivelmente à mesma hora em que o drone caiu sobre o apartamento em Galati, as autoridades ucranianas disseram que a zona portuária de Izmail tinha sido alvo de um ataque russo com drones.
Os radares romenos detetaram drones no espaço aéreo romeno, segundo o comunicado do ministério. Dois caças F-16 foram mobilizados e os pilotos receberam autorização para atacar alvos durante todo o alerta.
A Roménia, antigo membro do bloco comunista do Leste europeu, integra tanto a NATO como a União Europeia.
Os membros da NATO — a aliança de defesa transatlântica assente no princípio de que um ataque contra um aliado é um ataque contra todos — têm vindo a responder cada vez mais a drones e mísseis russos que entram no seu espaço aéreo ou caem em território aliado, aumentando as tensões com Moscovo.
"Escalada irresponsável"
Toiu afirmou que o Ministério dos Negócios Estrangeiros convocou o embaixador russo em Bucareste. Numa declaração anterior, disse que a ação da Rússia “representa uma escalada grave e irresponsável”.
A ministra acrescentou que a Roménia pediu à União Europeia e à NATO “medidas para acelerar a transferência de capacidades antidrones” para o país.
“A Roménia atuará com a máxima determinação para aumentar a pressão internacional sobre a Federação Russa com vista a alcançar um cessar-fogo imediato e abrangente” na guerra entre Ucrânia e Rússia, refere o comunicado.
A NATO e a União Europeia disseram que Moscovo voltou a ultrapassar uma linha vermelha.
A porta-voz da aliança, Allison Hart, informou que o secretário-geral da NATO está em contacto com as autoridades romenas após o incidente.
“Condenamos a imprudência da Rússia e a NATO continuará a reforçar as suas defesas contra todas as ameaças, incluindo drones”, sublinhou Hart.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que estão a ser preparadas sanções contra Moscovo e acrescentou que “a guerra de agressão da Rússia ultrapassou mais uma linha”.
Os países europeus também reagiram rapidamente à condenação da Rússia.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de França, Jean-Noel Barrot, convocou igualmente o embaixador russo e condenou o “ato irresponsável” da Rússia, dizendo à rádio pública France Inter que Moscovo “atingiu um país amigo, membro da UE e da NATO”.
O presidente da Letónia, Edgars Rinkevics, também condenou o ataque com drones e afirmou que o país “está em total solidariedade com o aliado Roménia e preparado para apoiar medidas adequadas para evitar estas violações”.
Desde que Moscovo começou a atacar os portos de Kiev junto ao Danúbio, drones russos violaram o espaço aéreo romeno 28 vezes, segundo o Ministério da Defesa romeno, citado pela Reuters.
Em setembro de 2025, caças da NATO abateram vários drones russos que violaram o espaço aéreo polaco durante um ataque à vizinha Ucrânia. A aliança militar denunciou o comportamento “absolutamente perigoso” de Moscovo, considerando que elevava as tensões para um novo nível.
Dias depois desse incidente, a Roménia condenou as “ações irresponsáveis” de Moscovo depois de alegar que um drone russo violou o espaço aéreo romeno durante um ataque à Ucrânia, levando Bucareste a mobilizar caças.
*Kara Fox, Daria Tarasova-Markina e Stephanie Halasz contribuíram para este artigo
