Presidente ucraniano apresentou ao parlamento o seu plano e deixou um aviso aos aliados: uma vitória de Putin poderá conduzir a uma escalada dos conflitos na região do Golfo, no Indo-Pacífico e em África
“Se o plano for apoiado, podemos acabar com a guerra o mais tardar no próximo ano”, garantiu o presidente Volodymyr Zelensky ao apresentar o "Plano da Vitória da Ucrânia, no parlamento, esta quarta-feira.
A proposta é composta por cinco pontos: um convite para aderir à NATO, uma vertente de defesa, a dissuasão da agressão russa, o crescimento económico e a cooperação e a arquitetura de segurança do pós-guerra. O plano inclui três adendas secretas mas que já foram partilhadas com os parceiros internacionais.
O convite da Ucrânia para aderir à NATO foi colocado como objetivo essencial. Kiev apresentou o seu pedido de adesão em setembro de 2022, mas ainda não recebeu um sinal claro dos aliados. "Entendemos que a adesão à NATO é uma questão para o futuro, não para o presente", disse Zelensky, citado pelo Kiev Independent, acrescentando que um convite imediato mostraria ao presidente russo Vladimir Putin o erro dos ‘seus cálculos geopolíticos’.
“Somos uma nação democrática que provou ser capaz de proteger o nosso modo de vida comum”, garantiu.
O segundo ponto sublinha a necessidade de levar a guerra para o território russo, como durante a incursão transfronteiriça de Kursk, lançada no início de agosto. Isto evitará a criação de possíveis “zonas tampão” em território ucraniano, explicou Zelensky, que apelou também ao levantamento das restrições aos ataques de longo alcance na Rússia, ao fornecimento adicional de armas de longo alcance e ao apoio do Ocidente no abate de mísseis e drones russos sobre a Ucrânia.
O apoio adicional na construção de forças terrestres ucranianas, defesas aéreas, investimento em defesa, assistência de inteligência e outras ajudas militares foram apresentadas com o objetivo de fortalecer a Ucrânia e dissuadir a população russa de sua “ideologia de guerra”, disse o presidente.
O terceiro ponto refere-se à dissuasão não nuclear, uma parte da qual permanecerá confidencial. A Ucrânia está a propor um “pacote abrangente de dissuasão estratégica não nuclear no seu território” que protegeria o país contra futuras agressões. O artigo terá já sido apresentado em pormenor aos líderes dos EUA, Reino Unido, Alemanha, França e Itália.
O quarto ponto aborda a utilização pela Ucrânia dos seus recursos naturais, como o urânio, o titânio e o lítio, que representam um potencial de crescimento económico para Kiev e para a União Europeia. A Ucrânia está a propor um acordo especial, a implementar após o fim do conflito, sobre o investimento e a utilização conjunta destes recursos com a UE e os EUA.
Kiev apela ainda ao reforço das sanções internacionais contra a Rússia, a fim de minar a sua capacidade de sustentar a sua agressão.
O último ponto diz respeito à arquitetura de segurança da Ucrânia no pós-guerra. Zelensky afirmou que Kiev possui uma força militar grande e experiente que pode reforçar a NATO e a segurança do continente europeu. “Se os parceiros concordarem, depois da guerra, prevemos a substituição de certos contingentes militares dos EUA estacionados na Europa por unidades ucranianas”, disse o presidente, citado pela Reuters.
“Se Putin atingir os seus insanos objetivos geopolíticos, militares, ideológicos e económicos, criará uma motivação esmagadora para outros potenciais agressores, particularmente na região do Golfo, na região do Indo-Pacífico e em África, de que as guerras também podem ser lucrativas para eles”, disse o presidente aos deputados.
Zelensky afirmou que a “coligação de criminosos” de Putin inclui agora a Coreia do Norte, que, segundo os serviços de informação ucranianos, forneceu não só armas, mas também pessoal para as fábricas e as forças armadas russas. “Isto representa a participação efetiva de um segundo estado na guerra contra a Ucrânia, do lado da Rússia”.
O presidente ucraniano também sublinhou o apoio dado pelo Irão e pela China. “Temos de implementar o plano de vitória para forçar a Rússia a estar na cimeira de paz e pronta para acabar com a guerra”, disse.
Volodymyr Zelensky foi convidado a participar numa Cimeira de líderes da União Europeia que se realiza na quinta-feira, onde este plano será debatido.