Efeito boomerang no Ocidente: petróleo e gás cada vez mais caros

22 jun, 21:51

A Europa e os Estados Unidos esperavam que os sucessivos pacotes de sanções às exportações russas fossem suficientes para fazer com que Putin desistisse de uma guerra que tem vindo a afastar a Rússia do Ocidente. Mas Moscovo encontrou nas economias emergentes clientes pouco preocupados com as sanções internacionais, da China à Índia

Foi um Vladimir Putin sereno, mas convicto, que apresentou aos parceiros do grupo BRICS os valores relacionados com a venda de petróleo russo nos últimos meses, que o Presidente da Federação disse não terem sofrido grandes mudanças, apesar das sanções do Ocidente.

Putin falava durante o encontro BRICS Business Forum, onde os membros debateram estratégias e parcerias para os próximos tempos, numa altura em que economias como a China aproveitaram o isolamento da Rússia a nível internacional para uma aproximação estratégica entre Pequim e Moscovo.

O grupo BRICS é composto por cinco economias de grande peso e em desenvolvimento económico, o Brasil, a Rússia, a China e a África do Sul – (o S corresponde ao nome do último país em inglês, South Africa).

“É importante que, apesar de todos os problemas e dificuldades, os círculos de negócios do grupo BRICS estejam a conseguir expandir os seus benefícios em termos de comércio e investimento,” disse Putin.

“Assim, os resultados do comércio entre a Federação Russa e o grupo dos cinco nos primeiros três meses deste ano aumento 38%, o que corresponde a 45 mil milhões de dólares,” continuou o presidente russo.

Em termos práticos, a Rússia convida a Índia a abrir redes de supermercados em território nacional, ao mesmo tempo que abre as portas a maiores importações chinesas dos setores automóvel e de maquinaria agrícola.

Um efeito boomerang que o Ocidente não esperava

Depois dos sucessivos pacotes de sanções aplicados pelos Estados Unidos e pela União Europeia e Reino Unido ao gás e petróleo e carvão russos, o Ocidente parece estar a sofrer as consequências das suas próprias políticas.

Tanto na América do Norte como na Europa, os preços do gás, da gasolina e do gasóleo atingem níveis que podem custar muito caro aos governantes. É o caso do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que lida com um descontentamento crescente da população em vários estados, onde um galão de gasolina custa cerca de 5 dólares ( quase 5 euros). Um efeito boomerang, referem vários meios de comunicação, como o New York Times.

Os países europeus, em particular a União Europeia, têm adotado sanções de forma progressiva. A dependência da energia russa da parte de economias como a alemã ou a húngara explicam um maior cuidado na aplicação de sanções. Ainda assim, a Europa Central e de Leste tem reduzido de forma importante a importação de hidrocarbonetos russos.

A dependência da energia russa da parte de economias como a alemã ou a húngara explicam um maior cuidado na aplicação de sanções. Ainda assim, a Europa Central e de Leste tem reduzido de forma importante a importação de hidrocarbonetos russos.

Presidente chinês: sanções não devem ser usadas como arma política

De acordo com as autoridades chinesas, o país aumentou em 55% as importações de petróleo russo quando comparado com período homólogo. A Rússia passou a ser o maior exportador de petróleo para o mercado chinês, ultrapassando a Arábia Saudita, o segundo maior produtor mundial, depois dos Estados Unidos.

O Presidente chinês quis deixar claro, durante o encontro do grupo BRICS, que Pequim não seguia a linha de sanções adotada pelo Ocidente, que acusou de chantagear países terceiros graças a uma posição de privilégio.

“Ficou provado uma e outra vez que as sanções são como um boomerang e como uma espada de dois gumes. Politizar e instrumentalizar a economia global com sanções e procurar benefícios existentes graças ao estatuto de potência nos sistemas monetário e financeiro internacional acaba por prejudicar os interesses que quem domina. E de infligir sofrimento a todo o mundo,” disse Xi Jinping.

A cimeira BRICS Business Forum teve lugar em Pequim, com atos presenciais e onlineà margem da 14ª Cimeira do BRICS, que tem lugar quinta-feira. O grupo BRICS representa cerca de 25% da economia global e mais de 40% da população do Planeta.

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