Questionado sobre quantas vezes falou com o homólogo russo, Trump foi defensivo e disse que era "melhor não dizer", mas insistiu que Putin "preocupa-se" com as pessoas que estão a morrer no campo de batalha
O presidente norte-americano, Donald Trump, revelou ter falado com o presidente russo, Vladimir Putin, por telefone para tentar negociar o fim da guerra, numa entrevista ao jornal New York Post a bordo do Air Force One.
Questionado sobre quantas vezes falou com o homólogo russo, Trump foi defensivo e disse que era "melhor não dizer", mas insistiu que Putin "preocupa-se" com as pessoas que estão a morrer no campo de batalha.
"Ele quer ver as pessoas pararem de morrer", afirmou Donald Trump, sublinhando que o conflito "nunca teria acontecido" caso ele tivesse sido eleito em 2020. "Sempre tive um bom relacionamento com Putin", defendeu.
O líder norte-americano foi eleito com a promessa de acabar a guerra em "menos de 24 horas" após tomar posse, objetivo que adiou logo no primeiro dia do mandato devido à complexidade do conflito. No entanto, durante a entrevista o presidente americano garantiu ter um plano concreto para travar a invasão.
“Espero que seja rápido. As pessoas estão a morrer todos os dias. Esta guerra é muito má para a Ucrânia. Quero acabar com esta maldita guerra”, defendeu Trump.
Donald Trump nomeou uma equipa composta pelo Conselheiro de Segurança Nacional, Mike Waltz, e pelo enviado especial, o tenente-general Keith Kellogg. Na sexta-feira, a bordo do avião presidencial, Trump lamentou à frente dos jornalistas que “todos os dias, pessoas estão a morrer em ambos os lados, por todo o campo de batalha”.
Este sábado, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, expressou a sua vontade de se encontrar com Donald Trump antes que o líder americano se encontrasse com Vladimir Putin, de forma a garantir que qualquer debate sobre a Ucrânia, inclui a Ucrânia.
“É muito importante, caso contrário parecerá um diálogo sobre a Ucrânia sem a Ucrânia. É importante que os parceiros discutam primeiro as suas preocupações e depois conversem com o inimigo”, disse Zelenskyy à Reuters, numa entrevista concedida na sexta-feira.
O apoio militar norte-americano tem sido absolutamente crucial para a resistência ucraniana, num conflito que está a poucos dias de fazer três anos. Já na próxima sexta-feira, Zelensky vai encontrar-se com uma das principais figuras do novo executivo americano, o vice-presidente J.D. Vance, durante a Conferência de Segurança de Munique. Vance tem sido uma das vozes mais críticas do apoio à causa ucraniana da nova administração.
Recentemente, a Ucrânia tem encontrado na promessa de uma colaboração com os Estados Unidos da exploração de terras raras a sua esperança para que Trump mantenha o apoio militar. Estes minérios são críticos para o desenvolvimento de tecnologias de ponta que mantêm os Estados Unidos da América na corrida tecnológica com a China.
Em resposta, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que não pode confirmar nem desmentir as declarações do presidente norte-americano, Donald Trump.
Em resposta à questão colocada pelo jornal russo Izvestia, Peskov disse apenas que, tal como a Casa Branca já indicou, existem várias comunicações a acontecer "através de vários canais", referindo quem, devido ao "volume destas comunicações", poderia não estar ciente de tudo.
