Desfaz-se em elogios à China mas crítica EUA e UE. Orbán não pára e vê Europa com "política de guerra"

8 jul, 19:24
Viktor Orbán (Alexander Zemlianichenko/AP)

Depois de três visitas importantes no espaço de uma semana, o responsável continua ativo

Continua o show de Viktor Orbán, que está numa autêntica roda-viva de deslocações e entrevistas, fazendo-se valer dos primeiros dias como presidente do Conselho da União Europeia, cargo rotativo que vai ocupar nos próximos seis meses. Desta vez, e depois de ter estado na Ucrânia, Rússia e China, o primeiro-ministro da Hungria afirmou que a Europa também tem uma “política de guerra” em relação ao conflito na Ucrânia.

Em entrevista ao jornal alemão Welt, Viktor Orbán criticou a postura dos seus parceiros em relação à guerra: “Lamento ter de dizer isto, mas a Europa também tem uma política de guerra”.

Isto com palavras em que pediu à União Europeia que comece a procurar autonomia em relação aos Estados Unidos, até porque “as verdadeiras vítimas são a economia e a população europeias”.

Orbán admite que não existe uma solução ideal, mas quer negociações o mais rápido possível, porque “não há nenhuma solução no terreno”.

“Tive a oportunidade de falar com os presidentes ucraniano e russo. Acreditem, os próximos dois ou três meses vão ser ainda mais brutais do que pensamos”, acrescentou.

Na mesma entrevista, publicada num dia em que o primeiro-ministro húngaro foi à China, houve também espaço para traçar uma diferença: “A China tem um plano de paz. A América tem uma política de guerra. A Europa está só a copiar a posição americana, em vez de ter a sua própria estratégia de abordagem”.

Isto numa lógica de uma Europa aparentemente sem líder, a acreditar nas palavras de Orbán, que entende que Angela Merke, antiga chanceler da Alemanha, nunca teria permitido este cenário, nomeadamente "porque tem a habilidade, compreensão e capacidade de isolar conflitos que são maus para a Europa".

"A guerra não cai dos céus. A guerra é o resultado de decisões de certas pessoas. É por isso que precisamos de encontrar esses líderes mundiais", acrescentou, apontando que Estados Unidos e União Europeia não são, por esta altura, essas figuras.

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