Depois do papel higiénico, a corrida ao óleo alimentar. Porquê?

16 mar, 08:00
Secção dos óleos alimentares de um supermercado em Espanha (Getty Images)

Pedro Siza Vieira garante que “não vale a pena esgotar os óleos de girassol” nos supermercados. Por todo o mundo, os preços destes produtos estão a aumentar

Se entrou num supermercado no passado fim de semana, há boas hipóteses de ter visto a secção dos óleos alimentares completamente vazia, mesmo apesar de algumas cadeias, como o Continente, o Lidl e a Mercadona, terem limitado a venda destes produtos.

Esta segunda-feira, durante o anúncio das medidas de apoio a famílias e empresas em resposta ao aumento dos preços dos combustíveis e produtos alimentares, o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, procurou tranquilizar os portugueses, garantindo que “não vale a pena ir a correr ao supermercado esgotar o papel higiénico ou óleos de girassol” e que o abastecimento de bens essenciais está garantido.

Posto isto, porquê a corrida ao óleo alimentar? A resposta passa, como muitas nesta altura, pela invasão russa da Ucrânia.

De acordo com dados recolhidos pela Statista, empresa especializada no tratamento de dados, a Ucrânia e a Rússia produzem quase 60% das sementes de girassol em todo o mundo. Para além de ser o maior produtor deste bem, a Ucrânia é também o maior exportador mundial de óleo de girassol, vendendo para o estrangeiro 5,27 milhões de toneladas durante os anos de 2020 e 2021, o que representa mais de metade do volume de exportações deste produto.

A guerra em território ucraniano, que interrompeu grande parte da produção, deixou alguns países, como a Índia, o maior consumidor mundial de óleo de girassol, a China, o Egito e a África do Sul, particularmente vulneráveis a uma rutura de stock.

As sanções impostas à Rússia, que não conseguirá exportar a sua produção para o continente europeu e para a América, deixam também os países do Ocidente expostos a uma potencial falta de abastecimento de óleo alimentar.

Na Alemanha, os efeitos também se fazem sentir. “Estamos a verificar, nos nossos supermercados, um aumento da procura por óleo de girassol, mas também por óleo de canola e azeite”, afirmou um porta-voz da cadeia Aldi Sud, citado pelo The Guardian. Um representante da Associação Federal Alemã de Comércio de Retalho pediu às pessoas para não açambarcarem os produtos, como no início da pandemia de covid-19, e para demonstrarem “solidariedade” com os outros consumidores.

De acordo com a Al Jazeera, a corrida aos óleos alimentares fez disparar o preço dos mesmos no mercado internacional em cerca de 20% desde o início do conflito. Nos Estados Unidos, por exemplo, a revista Time reporta que o preço do óleo de girassol mais do que duplicou desde setembro de 2020, de 1,21 euros por litro para 2,58 euros por litro atualmente. Se a guerra se prolongar no tempo, os consumidores deverão preparar-se para uma subida ainda maior dos preços destes bens.

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