Dedo de Putin? Presidente da Moldova denuncia "ataque sem precedentes" para evitar adesão do país à UE

21 out 2024, 09:37
Maia Sandu após as eleições na Moldova (Vadim Ghirda/AP)

População foi chamada a votar em referendo e os resultados não foram tão claros como Maia Sandu esperava

A presidente da Moldova denunciou um “ataque sem precedentes” ao processo democrático por parte de “forças estrangeiras”, depois de os cidadãos do país terem sido chamados a votar nas eleições presidenciais e num referendo que acabou por decidir a favor da adesão do país à União Europeia

Quando Maia Sandu falou, nenhum dos resultados era do seu agrado: apesar de ter ficado claramente à frente da concorrência - incluindo do pró-russo Alexandr Stoianoglo -, a presidente em exercício vai ser obrigada a disputar uma segunda volta num país dividido entre o Ocidente e a herança dos tempos da União Soviética.

Mas foi o resultado do referendo que motivou maior apreensão, até porque esteve dividido até bem perto do fim. A votação chegou a estar separada por apenas algumas centenas de votos num universo de 1,5 milhões de eleitores que foram às urnas -, a presidente da Moldova deixou no ar a possibilidade de interferência em favor de terceiros, o que será entendido como uma mensagem de que a Rússia tentou influenciar as eleições.

De resto, as autoridades avisaram várias semanas antes das eleições para uma intensa interferência por parte da Rússia, que tem um interesse especial na região, já que parte do país é pró-russo, nomeadamente na região separatista da Transnístria, que faz fronteira com a Ucrânia, e onde Moscovo tem mesmo tropas estacionadas.

O maior problema para Maia Sandu nem parece ser a sua eleição, mas sim a divisão entre aderir ou não à União Europeia. Divisão essa que, independentemente do resultado, está patente no equilíbrio entre o sim e o não.

Sem se estender muito sobre aquilo a que se referia, a presidente moldava disse que o governo tinha provas de que “grupos criminosos tentaram comprar 300 mil votos” para fazer pender a balança para o não.

“Em trabalho conjunto com forças estrangeiras hostis aos nossos interesses nacionais, atacaram o nosso país com dezenas de milhões de euros, mentiras e propaganda”, garantiu, sublinhando que é necessário continuar a “defender a democracia e a liberdade”.

Perante a subida nas intenções de voto a favor da presidente, o Kremlin estranhou a mudança de dinâmica. "Os indicadores que estamos a ver, que monitorizamos, e as dinâmicas de mudança, claro que levantam questões", afirmou Dmitry Peskov, porta-voz da presidência russa, que disse mesmo que é "difícil explicar tais taxas de crescimento a favor de Maia Sandu".

Apesar de esta ser uma decisão que está em referendo, a Moldova já iniciou formalmente um processo de adesão à União Europeia. Maia Sandu espera que o país possa juntar-se até 2030, tendo tentado acelerar o processo depois da invasão da Ucrânia pela Rússia.

Entrincheirada entre a Roménia e a Ucrânia, a Moldova, que pertencia à União Soviética, tem uma forte componente de influência russa. Tanto assim que existe uma parte do seu território, a Transnístria, que se declara independente do resto do país, alinhando antes pela lógica de Moscovo, sendo que o exército russo tem mesmo bases nessa zona, que faz fronteira com a Ucrânia.

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