Costa confirma na Polónia: Portugal negoceia com vários governos para distribuir gás a partir de Sines

CNN Portugal , Com Lusa
20 mai, 11:37

Primeiro-ministro diz que Portugal quer ser uma ajuda para os países mais dependentes do gás russo. Após reunir-se com o homólogo polaco, Costa disse ainda que vai falar com Zelensky sobre um "estatuto especial" para a integração europeia da Ucrânia

O primeiro-ministro António Costa confirmou esta sexta-feira, após reunir-se com o seu homólogo polaco, Mateusz Morawiecki, em Varsóvia, que Portugal está a discutir com vários governos a possibilidade de usar o porto de Sines como plataforma de distribuição de gás, transferindo-o de navios maiores para embarcações mais pequenas, capazes de operar nos mares Báltico e do Norte.

Esta sexta-feira, o jornal Público escreve precisamente que o Governo português estaria em negociações "ao mais alto nível" com Alemanha e Polónia para que o porto de Sines passasse a distribuir gás aos países da Europa mais dependentes do gás russo. 

Mateusz Morawiecki, por seu lado, revelou que a Polónia está interessada em cooperar com Portugal num eventual transporte de gás natural liquefeito (GNL), referindo que o seu país está a tornar-se num eixo para o gás e, portanto, "se pudermos obter gás adicional [...] estaríamos muito interessados neste tipo de cooperação com Portugal", concluiu Morawiecki, citado pela Reuters.

O primeiro-ministro português afirmou ainda em Varsóvia que Portugal está em condições de contribuir para a autonomia energética da Europa, libertando-a da atual dependência do gás russo, através de fornecimento de gás e hidrogénio.

Logo no início da conferência de imprensa conjunta dos primeiros-ministros português e polaco, Mateusz Morawiecki rejeitou a ideia de os Estados-membros da União Europeia continuarem a comprar gás e petróleo à Rússia e, a seguir, António Costa elogiou esse esforço que o governo de Varsóvia está a fazer para assegurar a sua autonomia energética.

“Portugal é desde há muito tempo defensor da urgência de assegurar a transição energética baseada em renováveis. Temos condições para contribuir de uma forma duradoura para a autonomia energética da Europa”, sustentou, antes de falar nas potencialidades do porto de Sines ao nível do abastecimento de gás e hidrogénio.

Costa vai falar com Zelensky sobre “estatuto especial” para integração europeia

Durante a conferência de imprensa com Morawiecki, o primeiro-ministro adiantou ainda que falará com o presidente ucraniano sobre a importância de definir um estatuto especial para um caminho pragmático e progressivo de integração europeia da Ucrânia.

“Os 27 Estados-membros da União Europeia têm de possuir a abertura suficiente para encontrarem o estatuto especial que é necessário para a Ucrânia, não nos agarremos a designações e concentremo-nos em ser pragmáticos”, disse Costa.

“A melhor ajuda que podemos dar à Ucrânia é não haver divisões e mantermos uma resposta unida na União Europeia face à agressão militar da Rússia. A última coisa que devemos fazer é encontrar divisões entre nós”, salientou.

O primeiro-ministro referiu a título de exemplo o complexo processo de adesão de Portugal à União Europeia, com negociações que demoraram nove anos, e falou num dos temas que espera abordar no sábado, em Kiev, com o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

“Reativamente aos contactos que manterei na Ucrânia com o Presidente Zelensky e com o primeiro-ministro ucraniano, incidirão sobre as formas de apoio que, do ponto de vista bilateral, Portugal pode continuar a assegurar ao nível do fornecimento de equipamento militar, humanitário e financeiro. Vamos também discutir a perspetiva europeia da Ucrânia, tendo em vista a que possamos ajudar a construir uma posição de unidade na União Europeia”, indicou.

António Costa reconheceu a existência de uma posição diferenciada entre os Estados-membros da União Europeia em matéria de processo de adesão da Ucrânia, mas procurou sobretudo dar ênfase aos pontos em que existe convergência.

“Estamos reconhecidos e satisfeitos com a clara opção europeia da Ucrânia, todos reconhecemos a Ucrânia como parte da família europeia e todos sabemos bem quais as regras da União Europeia. Temos de encontrar uma solução que responda àquilo que é prioritário neste momento para a Ucrânia: Apoio militar, económico, humanitário e compromisso inquestionável para o esforço enorme de reconstrução”, sustentou.

 

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