Como a Rússia está a travar o míssil mais poderoso da Ucrânia

13 ago, 11:22
Míssil Flamingo FP-5 (Efrem Lukatsky/AP)
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Viajam até três mil quilómetros de distância, mas quase todos os Flamingos estão a ser abatidos antes de chegarem aos seus alvos no interior da Rússia

É conhecido por ser o maior míssil ucraniano de sempre, desenvolvido em tempo recorde e capaz de transportar 1.150 quilos de explosivos a alta velocidade. O Flamingo FP-5 renovou as esperanças de Kiev, mas só até os olhos da Rússia no céu começarem a abater a maioria destes mísseis de cruzeiro de longo alcance - e quase tão rapidamente quanto a Ucrânia os consegue lançar.

Isto acontece, segundo a Euromaidan, porque a frota russa de aviões de alerta e deteção antecipada por radares Beriev A-50U, de movimentos pesados, tem agora uma única missão: patrulhar as rotas de voo mais prováveis dos Flamingos que tentam chegar ao interior do território russo.

Com os radares montados na fuselagem e um alcance de deteção muito maior contra alvos a baixa altitude do que qualquer radar terrestre, os A-50U parecem estar a cumprir com sucesso a sua missão.

A 6 de agosto a 19.ª Brigada de Mísseis do Exército ucraniano lançou pelo menos três dos seus Flamingos em direção à região de Tyumen, no oeste da Sibéria. Os mísseis, que podem viajar até três mil quilómetros de distância, percorreram cerca de 2.500 quilómetros, mas depois desapareceram.

Segundo o projeto de análise cartográfica AMK Mapping, Moscovo abateu dez dos 11 mísseis lançados desde dia 1 de julho, embora não sejam conhecidos números oficiais ucranianos ou russos.

Este balanço contrasta com os padrões do mês de junho, quando Kiev conseguiu furar as defesas aéreas russas e atingir, por exemplo, uma fábrica de componentes eletrónicos VNIIR-Progress, em Cheboksary, a 960 quilómetros da fronteira ucraniana.

Com uma série de emboscadas com drones e mísseis, as forças ucranianas ainda conseguiram destruir dois A-50U e danificar outros dois, reduzindo aquela frota a não mais de cinco, sendo que todos os aviões restantes estão totalmente empenhados na luta contra os Flamingos.

Entre 24 e 25 de julho a Ucrânia conseguiu uma nova brecha, atingindo a fábrica de mísseis Vyatka Machine-Building Enterprise Avitek, na região de Kirov, uma importante produtora de componentes para o sistema de mísseis terra-ar de médio alcance Tor: um dos sistemas de defesa aérea que os russos poderiam utilizar para abater Flamingos.

“Qualquer abrandamento na produção destes sistemas poderia melhorar significativamente as perspetivas de desempenho do FP-5 ao longo do tempo”, observou Michael Bohnert, analista do think tank RAND, na Califórnia.

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