Combatente britânico relata os cinco meses como prisioneiro de guerra da Rússia: “Queres uma morte rápida ou bela?"

25 set, 10:03
Aiden Aslin (AP)

“Durante todo o período de cativeiro, não consegui chorar", conta Aiden Aslin, que foi espancado, esfaqueado e forçado a ouvir canções soviéticas durante 24 horas por dia

O combatente britânico Aiden Aslin, que foi um dos 215 libertados na maior troca de prisioneiros efetuada entre Ucrânia e Rússia desde o início da guerra, contou ao tablóide britânico The Sun a experiência que passou durante cinco meses enquanto prisioneiro de guerra da Rússia.

Aslin, de 28 anos, lutou ao lado da Ucrânia e conta que, durante o cativeiro, foi “espancado, esfaqueado e forçado a ouvir canções soviéticas 24 horas por dia na sua pequena cela”.

“Nunca pensei que iria sair vivo”, refere o britânico, que vivia na Ucrânia desde 2018 com a mulher, natural daquele país. O “inferno” de Aslin chegou ao fim graças à ajuda de Roman Abramovich, que mediou o processo de negociação e com quem se encontrou na Arábia Saudita, para onde voou após a libertação.

Antes da rendição em abril, quando o seu batalhão ficou cercado durante a ofensiva russa a Mariupol, Aiden Aslin ligou à mãe, Angela Wood, e prometeu que a veria outra vez. Mas, na verdade, temia pela sua vida.

“Eles folhearam o meu passaporte e rapidamente perceberam que não era ucraniano. O soldado perguntou em russo: 'De onde és?' Eu disse-lhe que era da Grã-Bretanha e ele deu-me um murro na cara”, conta. Este momento marcou o início do calvário. Aslin foi separado dos restantes combatentes e foi interrogado dentro de um veículo blindado, usado para o reencaminhar para território da autoproclamada República Popular de Donetsk.

Lá, num centro de detenção, foi novamente interrogado, sendo espancado após cada resposta dada. “O oficial estava a fumar um cigarro e ajoelhou-se à minha frente para perguntar: 'Sabes quem eu sou?' Eu disse 'não' e ele respondeu em russo: 'Eu sou a tua morte'”, relata Aslin, que também se apercebeu que tinha sido esfaqueado quando o soldado russo lhe perguntou “viste o que acabei de fazer?".

"Perguntou-me: 'Queres uma morte rápida ou uma morte bela? Respondi em russo, 'Uma morte rápida'. Ele sorriu e disse 'Não, vais ter uma morte bela... e eu vou certificar-me de que é uma morte bela'".

Em maio, Aslin foi condenado à morte pela justiça do Estado fantoche. “Durante todo o período de cinco meses em cativeiro, não consegui chorar. Quando soube que tinha recebido a sentença de morte, quis chorar, mas não consegui. Era literalmente uma questão de sobrevivência”, sublinhou o combatente.

"A tua vida está nas mãos destas pessoas e fazes o que elas te dizem para fazer ou sofres as consequências. Apesar de tudo o que passámos, eu sabia que mais cedo ou mais tarde veríamos luz ao fundo do túnel e que voltaria para ver a minha mulher e a minha família".

Aiden Aslin foi um dos cinco britânicos libertados pela Rússia, a par de Shaun Pinner, condenado à morte no mesmo julgamento na autoproclamada República Popular de Donetsk, bem como John Harding, Dylan Healy e Andrew Hill.

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