Clientes europeus de gás russo podem aceitar ultimato de Putin no pagamento

CNN , Anna Cooban. Com a colaboração de Robert North
29 abr, 13:05
Nord Stream 2 (Michael Sohn/AP)

Distribuidores de gás na Alemanha e na Áustria disseram à CNN Business que estão a trabalhar em formas de aceitar o ultimato russo

Alguns dos maiores clientes de gás natural da Rússia estão a preparar-se para aceitar os novos termos de pagamento do Kremlin, em vez de correrem o risco de serem afastados por Moscovo, uma consequência que sofreram esta semana a Polónia e a Bulgária.

Os distribuidores de gás na Alemanha e na Áustria disseram à CNN Business que estão a trabalhar em formas de aceitar o ultimato russo de que os pagamentos finais pelo gás devem ser feitos em rublos, em cumprimento das sanções da UE.

O presidente Vladimir Putin disse no mês passado que os países “hostis” teriam de pagar em rublos, em vez dos euros ou dólares declarados nos contratos. Os compradores poderiam fazer pagamentos em euros ou dólares para uma conta no Gazprombank da Rússia, que depois converteria o valor em rublos e o transferiria para uma segunda conta, a partir da qual seria feito o pagamento à Rússia.

A alemã Uniper disse na quinta-feira que continuará a pagar em euros pelo gás russo, mas disse que acredita que uma “conversão do modo de pagamento, desde que compatível com as sanções,” é possível.

“A Uniper está em conversações com o seu parceiro contratual sobre as modalidades concretas de pagamento e também trabalha em estreita coordenação com o governo alemão”, disse a empresa, em comunicado.

Um porta-voz da Uniper disse ao jornal Rheinische Post, na quinta-feira, que a empresa faria pagamentos em euros a um banco russo, em vez de a um banco com sede na Europa.

A Alemanha reduziu o consumo de gás russo, e passou dos 55% de importações, que fazia antes da guerra na Ucrânia, para os 35%, mas diz que precisa de continuar a comprar a Moscovo, pelo menos até ao próximo ano, para evitar uma recessão profunda.

A Uniper disse que não pode sobreviver sem o gás russo, a curto prazo.

“Isso teria consequências dramáticas para a nossa economia”, disse no comunicado.

Na quinta-feira, a empresa de energia austríaca OMV disse que analisou o pedido de alteração de pagamento da gigante russa de gás, a Gazprom, e estava “agora a trabalhar numa solução compatível com as sanções”.

Putin cumpriu na quarta-feira a ameaça de cortar o fornecimento aos países que recusaram os novos termos de pagamento. A Gazprom anunciou que suspendeu o fornecimento de gás à Bulgária e à Polónia porque estes países se recusaram a pagar em rublos, algo que veio alimentar receios de que outros países da UE - incluindo os principais importadores de gás, a Alemanha e a Itália - possam ser os próximos.

Lacuna nas sanções?

Pode haver uma solução alternativa. A Comissão Europeia emitiu orientações aos Estados-Membros da UE, na semana passada, dizendo que “parece possível” que os compradores possam cumprir as novas regras russas sem entrar em conflito com a lei da UE.

É provável que os governos da UE permitam que o mecanismo de pagamento avance, disse o Eurasia Group numa nota, na quinta-feira.

Outros analistas não têm tanta certeza e dizem que o processo não será simples. Os clientes europeus podem, inadvertidamente, ser vítimas de sanções, se usarem o mecanismo do Gazprombank.

“O processo de conversão para rublos pode envolver entidades sancionadas, e isso pode não ser evidente para o comprador”, disse à CNN Business Kaushal Ramesh, analista-chefe da Rystad Energy.

É provável que o novo mecanismo de pagamento demore algum tempo a ser implementado, mas espera-se que a Gazprom mostre flexibilidade com os próximos prazos de pagamento, disse o Eurasia Group.

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