CIA voltou a Moscovo para encontro de secretas. A última vez que o tinha feito foi antes da Rússia invadir a Ucrânia
"Um diretor da CIA não se desloca a Moscovo sem razão nenhuma aparente"
Visita do diretor da CIA a Moscovo pode ser "uma pré-câmara para uma nova ronda negocial em que os EUA voltem a tentar ser mediadores"
Imprensas americana e russa arriscam explicações para o encontro de John Ratcliffe com o homólogo russo. Há três potenciais motivos em cima da mesa
Foi uma operação de máximo secretismo. E daí que não se saiba, com certezas absolutas, o que foi fazer o diretor da CIA John Ratcliffe a Moscovo.
As explicações multiplicam-se pelos órgãos de comunicação social norte-americanos e russos.
Diz o The Wall Street Journal que os serviços secretos dos EUA tinham informação de que Moscovo estava a preparar-se para uma mobilização militar de larga escala e testar a determinação da própria NATO.
É uma explicação com cobertura nos últimos desenvolvimentos: Zelensky veio revelar que a Rússia se preparava para uma investida com 300 mil homens após as eleições.
E Putin tem testado as fronteiras da própria guerra, com drones lançados contra a Ucrânia a entrarem em território da Polónia e da Moldova.
Chegaram a existir rumores de que John Ratcliffe se reuniria com Vladimir Putin – algo que o Kremlin afastou através do seu porta-voz, Dmitry Peskov. “Não estava planeado nenhum encontro com Putin”, afirmou.
Então qual era o objetivo da visita? Peskov não abriu o jogo. Confirmou apenas o encontro de Ratcliffe com o homólogo russo Sergey Naryshkin, que já tinha mostrado disponibilidade para o mesmo.
Quando se olha para o passado, há um paralelismo que permite confirmar esta tese: a última vez que um diretor da CIA esteve em Moscovo foi em novembro de 2021. Na altura, William J. Burns foi alertar o Kremlin de que os EUA estavam cientes dos preparativos para uma invasão da Ucrânia em larga escala – o que se confirmou poucas semanas depois.
A guerra está num momento de especial tensão: a Rússia tem intensificado os ataques com drones e mísseis contra a região de Kiev, explorando as debilidades na defesa aérea do rival. Já a Ucrânia tem-se focado em ataques a infraestruturas energéticas e a instalações de retalho online, de modo a afetar o tecido económico russo.
Outras duas possíveis explicações
Há que ter em conta outros dois elementos, que compõem o quadro desta deslocação: a situação no Médio Oriente e a libertação de um cidadão norte-americano por Moscovo.
EUA e Rússia estão em polos diferentes no que diz respeito ao conflito no Irão. Moscovo e Teerão são aliados, ao ponto de terem sido fornecidas à República Islâmica informações de inteligência sobre as localizações de alvos militares dos EUA na região.
A Rússia será um dos destinatários das ameaças americanas na última frente da guerra contra o Irão: a económica. No início da semana, Washington anunciou novas sanções e pressão diplomática sobre os aliados de Teerão.
Outra possível explicação para a deslocação estará relacionada com a libertação do norte-americano Charles Zimmerman, um veterano da Marinha, de 58 anos, que foi condenado em janeiro a cinco anos de prisão na Rússia por posse e tráfico ilegal de armas.
O homem terá viajado para a Rússia para conhecer uma mulher que conheceu através da internet. Foi detido quando o seu iate atracou no porto de Sochi com uma espingarda a bordo.
Um segredo à vista de todos
Ninguém parecia querer que a deslocação do líder da CIA fosse tornada pública. Contudo, os dados de rastreamento da aeronave e registos fotográficos em Moscovo acabaram por trazer a visita para a esfera pública.
A deslocação da comitiva aconteceu num avião de transporte Boeing C-17A Globemaster III da Força Aérea dos EUA. O mesmo saiu da Base Aérea Conjunta Andrews, nos arredores de Washington, no domingo.
A aeronave terá permanecido cerca de 24 horas na Letónia, partindo para Moscovo na manhã de terça-feira. O regresso da capital russa aconteceu durante a tarde. Num primeiro momento, o Kremlin disse não ter informações sobre este avião.
