China e Índia apelam ao fim pacífico da guerra na Ucrânia - mas sem condenar Moscovo

25 set, 09:48

Aliados históricos de Moscovo pediram fim da guerra na Ucrânia, deixando o Kremlin aparentemente mais isolado

A China e a Índia apelaram este sábado à realização de negociações de paz para pôr termo à guerra na Ucrânia.

Embora nunca condenando Moscovo pela invasão do país vizinho, as declarações dos representantes das duas nações parecem colocar a Rússia cada vez mais isolada na cena mundial, dado que nenhum dos países mais poderosos do mundo ficou do seu lado durante a última Assembleia-Geral da ONU, realizada em Nova Iorque.

Segundo a agência France Presse, o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, pediu à Rússia e à Ucrânia para “conterem o conflito” e evitar que afete os países desenvolvidos.

"A China apoia todos os esforços que conduzam a uma resolução pacífica da crise da Ucrânia. A prioridade premente é facilitar as conversações para a paz. A solução fundamental é abordar as legítimas preocupações de segurança de todas as partes e construir uma arquitetura de segurança equilibrada, eficaz e sustentável", afirmou Wang, que se encontrou com Dmytro Kuleba, titular da pasta nos Negócios Estrangeiros do governo ucraniano, pela primeira vez desde o início da guerra.

As declarações contrastam com as do seu homólogo russo, Sergei Lavrov, que criticou a postura dos países do Ocidente e da NATO em relação ao conflito na Ucrânia. "A russofobia oficial no Ocidente não tem precedentes. É grotesca. Eles não se esquivam na intenção de infligir, não apenas a derrota militar ao nosso país, mas também destruir e fraturar a Rússia", disse, acusando também o Ocidente de “querer transformar o resto do mundo no seu próprio quintal”.

Por seu turno, a Índia, que mantém uma amizade histórica com a Rússia, também apelou à paz na 77.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas. "Durante o conflito na Ucrânia têm-nos perguntado muitas vezes de que lado estamos”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros indiano, Subramanyam Jaishankar.

"A nossa resposta é sempre direta e honesta - a Índia está do lado da paz e aí permanecerá firmemente. Estamos do lado que apela ao diálogo e à diplomacia como a única saída", completou.

A única voz de apoio à Rússia, durante a sessão de sábado na ONU, veio do Mali, com o presidente interino do país, o coronel Abdoulaye Maiga, a destacar a “cooperação exemplar e frutífera” com Moscovo. A AFP sublinha que Maiga foi colocado no poder por uma junta militar que combateu no próprio território ao lado do Grupo Wagner, milícia paramilitar de extrema-direita russa e leal ao Kremlin.

Após o discurso de Vladimir Putin na quarta-feira, em que o chefe de Estado russo decretou uma mobilização militar parcial de até 300 mil homens e ameaçou com o uso de armas nucleares, os países ocidentais começaram a preparar novos pacotes de sanções contra a Rússia.

Vários líderes ocidentais também têm condenado a realização dos referendos para a anexação à Rússia de quatro regiões ucranianas (Donetsk, Lugansk, Kherson, Zaporizhzhia), garantindo que as instituições internacionais não irão reconhecer os resultados decorrentes destes atos eleitorais que consideram fraudulentos.

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