Chernobyl está sem eletricidade, mas segurança da central não está em causa. 200 funcionários permanecem presos no local

9 mar, 14:01

Agência Internacional de Energia Atómica assegura que a segurança da central não está em causa. Em Zaporizhzhia, a situação dos trabalhadores também é "preocupante"

A Energoatom, empresa estatal que gere as centrais nucleares da Ucrânia, alertou esta quarta-feira para a potencial libertação de material radioativo da central nuclear de Chernobyl, desativada em 1986 após um acidente. O corte de energia resultante dos danos na rede elétrica que fornece a central impede a refrigeração do combustível nuclear.

A empresa explica que este combustível requer refrigeração constante e que a falta de eletricidade pode levar ao aumento das temperaturas e à libertação de substâncias radioativas, alertando ainda que a nuvem radioativa pode mesmo mover-se para fora da Ucrânia, nomeadamente para a Bielorrússia e Rússia.

As autoridades ucranianas dizem ainda que não conseguem fazer reparações e restaurar a eletricidade devido aos ataques russos na zona. A central nuclear foi ocupada pelas tropas invasoras.

Numa publicação no Twitter, Dmytro Kuleba pediu um cessar-fogo na região de Chernobyl para que se possa proceder à reparação da rede elétrica que alimenta a central nuclear desativada.

O ministro dos Negócios Estrangeiros alertou para uma potencial fuga de radiação, dado que os geradores de reserva só têm capacidade para alimentar a central durante 48 horas.

No entanto, poucas horas depois, a Agência Internacional de Energia Atómica emitiu um comunicado, no qual assegura que o corte de energia "não põe em perigo a segurança da central".

"A carga de calor do armazenamento de combustível gasto e o volume de água de arrefecimento da central nuclear de Chernobyl são suficientes para a remoção do calor sem haver necessidade de fornecimento de eletricidade", afirmou a instituição em comunicado.

Central deixou de comunicar com o órgão de vigilância atómica da ONU

A central nuclear de Chernobyl deixou também de transmitir dados para o órgão de vigilância atómica da ONU, afirmou a Agência Internacional de Energia Atómica, sublinhando “preocupação” com a equipa que trabalha sob a guarda russa na instalação ucraniana. 

O diretor da Agência Internacional de Energia Atómica, Rafael Grossi, "indicou que a transmissão remota de dados dos sistemas de monitorização de salvaguardas instalados na central nuclear de Chernobyl foi perdida", segundo um comunicado da agência.

"A Agência está a analisar a situação dos sistemas de monitorização de salvaguardas e fornecerá mais informações em breve", afirmou. Estas “salvaguardas” são descritas pela agência como medidas técnicas aplicadas a materiais e atividades nucleares, com o objetivo de impedir a disseminação de armas nucleares, através da deteção precoce do uso indevido destes materiais.

Mais de 200 funcionários, técnicos e guardas permanecem presos no local e estão a trabalhar há 13 dias seguidos. A situação dos funcionários "está a piorar" no local, segundo a agência.

A central de Chernobyl está localizada dentro de uma zona de exclusão que abriga reatores desativados, bem como instalações de resíduos radioativos. Mais de 2.000 funcionários ainda trabalham na central, num trabalho constante para evitar outro desastre nuclear.

A Ucrânia, através do conselheiro presidencial Mykhailo Podolak, manifestou preocupação com a perda de contacto entre Chernobyl e a Agência Internacional de Energia Atómica, depois de a central nuclear, que está sob ocupação das forças russas, ter deixado de transmitir dados para o órgão de vigilância da ONU.

"A IAEA perdeu inesperadamente a conexão com os sistemas de monitorização de garantias de Chernobyl. Neste momento ninguém sabe o que está acontecer em Chernobyl e o que está a ameaçar a região. Uma situação extremamente perigosa", escreveu o conselheiro de Zelensky.

Funcionários da central de Zaporizhzhia estão "exaustos"

A Sul, na central nuclear de Zaporizhzhia, a situação é igualmente desesperante, como denuncia o ministro da Energia ucraniano, num vídeo publicado durante a noite. Segundo o governante, as unidades militares da Rússia estão “a torturar” funcionários da central com o intuito de os forçar a fazer uma declaração pública. O ministro, Herman Halushchenko, denunciou o caso numa publicação nas redes sociais, onde afirmou que a equipa operacional da central foi “retida como refém durante quatro dias”. “Há cerca de 500 soldados russos e 50 unidades de equipamento pesado dentro da central. Os funcionários estão física e psicologicamente exaustos”, disse Halushchenko.

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