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Chefe das Forças Armadas do Reino Unido avisa: mundo está à beira de uma nova era nuclear

CNN
5 dez 2024, 17:59
Tony Radakin (Andy Rain/EPA-EFE/Shutterstock via CNN Newsource)
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O mundo está à beira de uma terceira era nuclear, alertou o chefe das forças armadas do Reino Unido.

“O mundo mudou”, afirmou o almirante Tony Radakin numa conferência proferida na quarta-feira no Royal United Services Institute do Reino Unido. “O poder global está a mudar e uma terceira era nuclear está a chegar”.

Esta era, advertiu, é “muito mais complexa” do que as que a precederam. A primeira dessas eras foi a Guerra Fria, disse Radakin, enquanto a segunda foi definida pelos esforços de desarmamento.

Esta terceira era nuclear, que, segundo Radakin, o mundo está “no alvorecer”, é “definida por dilemas múltiplos e simultâneos, proliferação de tecnologias nucleares e disruptivas e a ausência quase total das arquiteturas de segurança que a precederam”.

A guerra da Rússia na Ucrânia e os múltiplos conflitos no Médio Oriente abalaram a estabilidade global, sugeriu.

O destacamento de tropas norte-coreanas para a fronteira da Rússia com a Ucrânia foi o “acontecimento mais extraordinário” do ano, disse, bem como a utilização por Moscovo de drones fornecidos pelo Irão e as suas ameaças de armar os rebeldes Houthis do Iémen em retaliação ao apoio do Ocidente à Ucrânia.

Em novembro, a Rússia atualizou a sua doutrina nuclear, dois dias depois de o presidente dos EUA, Joe Biden, ter concedido à Ucrânia autorização para atacar alvos no interior da Rússia com armas de fabrico americano.

Apesar disso, Radakin acredita que existe apenas uma “hipótese remota” de a Rússia atacar ou invadir a NATO, pois sabe que a “resposta seria esmagadora, quer convencional quer nuclear”.

“A estratégia de dissuasão da NATO funciona e está a funcionar”, garantiu o chefe das forças armadas. “Mas tem de ser mantida forte e reforçada contra uma Rússia mais perigosa.”

O mal-estar global está a dividir o mundo em três grupos, disse Radakin. Num grupo estão os Estados autoritários “que procuram desafiar as regras globais”, incluindo a Rússia, a China, a Coreia do Norte e o Irão.

No segundo grupo estão as “nações responsáveis”, que incluem maioritariamente democracias, mas também monarquias do Golfo e outras que estão “empenhadas na parceria e na manutenção da estabilidade e da segurança no mundo”, continuou.

O terceiro grupo é constituído por países que “se protegem e se esquivam entre os dois para obter o máximo de vantagens”, disse Radakin.

Os países da NATO têm de manter uma vantagem sobre os seus adversários para os poderem derrotar, acrescentou.

Em outubro, um ataque israelita ao Irão destruiu a capacidade de Teerão de produzir mísseis balísticos durante um ano e “derrubou quase todo o sistema de defesa aérea do Irão”, afirmou.

“Neste sentido, a Rússia está a mostrar-nos como não lutar. E Israel, na sua resposta ao Irão, mostrou-nos a vantagem desproporcionada das formas modernas de combate”, disse Radakin.

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