Bruxelas fartou-se e vai cortar de vez o fornecimento de gás russo à Hungria e à Eslováquia

Nuno Mandeiro , atulizado com Lusa, às 12:30
20 out 2025, 11:05
O primeiro-ministro eslovaco Robert Fico (à esquerda) e o presidente russo Vladimir Putin participam numa reunião na Casa de Hóspedes Estatal Diaoyutai, em Pequim, China, em 2 de setembro de 2025. EPA/Lusa
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Budapeste e Bratislava dizem que decisão é "um ataque direto à segurança energética" de toda a Europa

Passados três anos de ponderações, súplicas e concessões, a União Europeia perdeu a paciência com a Hungria e Eslováquia. Bruxelas deu mais um passo, esta segunda-feira, rumo a um novo projeto de lei que vai cortar permanentemente o fornecimento de gás russo à Hungria e Eslováquia, quer os dois Estados-membro gostem ou não da decisão.

Os países da União Europeia aprovaram, esta segunda-feira, uma proibição progressiva das importações de gás russo, por gasoduto e gás natural liquefeito (GNL), pelo menos a partir de 2028, iniciando-se negociações com o Parlamento, que quer antecipar a data.

“O Conselho da União Europeia [UE] aprovou hoje a sua posição de negociação sobre o projeto de regulamento destinado a eliminar progressivamente as importações de gás natural russo. Este regulamento […] visa pôr fim à dependência da energia russa, na sequência da utilização do gás como arma política pela Rússia e das repetidas interrupções no fornecimento, que tiveram impactos significativos no mercado energético europeu”, anuncia em comunicado a instituição comunitária que junta os países europeus.

Reagindo à aprovação, o comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, falou no X num “apoio esmagador à proibição do gás russo” pelos Estados-membros, que permitirá à UE “conquistar a sua independência energética” da Rússia, numa votação que apenas requeria maioria qualificada e na qual Portugal votou favoravelmente.

Prevista está uma eliminação legalmente vinculativa e progressiva das importações de gás russo pela UE, tanto por gasoduto como por GNL, prevendo-se uma proibição total a partir do dia 1 de janeiro de 2028.

“O acordo do Conselho mantém este prazo, enviando assim um sinal ambicioso de vontade política para cumprir a eliminação gradual. Este passo contribuirá para o objetivo geral de alcançar um mercado energético europeu resiliente e independente, preservando simultaneamente a segurança do abastecimento da UE”, indica a instituição na nota.

Mais ambicioso é o Parlamento Europeu, com o qual o Conselho vai agora iniciar negociações, que na quinta-feira pediu que a UE deixe de importar gás natural liquefeito da Rússia a partir de 01 de janeiro de 2026, admitindo porém exceções limitadas para contratos de curta duração (até 17 de junho de 2026) e de longa duração (até 01 de janeiro de 2027), desde que celebrados antes de junho deste ano.

Portugal é um dos oito Estados-membros da UE que terão de encontrar alternativas às importações de gás russo, dado que o país ainda importa GNL da Rússia, embora em proporções relativamente pequenas.

Desde 24 de fevereiro de 2022 que uma das primeiras respostas europeias à invasão russa foi enfraquecer o fornecimento de energia de Moscovo ao bloco dos 27. As importações de petróleo, carvão e gás russo foram praticamente interrompidas, mas Budapeste e Bratislava sempre recusaram cooperar com este divórcio energético, como noticia o Politico.

O argumento de Hungria e Eslováquia foi sempre o mesmo: não há uma alternativa real. Volvidos mais de três anos e meio, os governos dos dois países - próximos do Kremlin - garantem que este corte absoluto resultará numa descontrolada e repentina subida dos preços da energia nos dois países.

No entanto, este é um argumento que tem vindo a ser rejeitado pelos especialistas e agora as restantes 25 capitais da União Europeia (UE) estão dispostas a cortar as importações de qualquer modo.

Não é ainda claro como esta decisão foi tomada sem o apoio da Hungria e da Eslováquia.

Hungria e Eslováquia tentaram de tudo

Nas vésperas da votação, Hungria e Eslováquia fizeram de tudo para tentar impedir o corte.

O primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, prometeu bloquear o 19.º pacote de sanções da UE contra a Rússia caso Bruxelas alargasse a proibição de importação de gás russo a Bratislava.

Hungria e Eslováquia continua a argumentar que a decisão de Bruxelas é "um ataque direto à segurança energética" de toda a Europa, aumentará os preços para os consumidores e prejudicará gravemente a indústria. 

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Hungria e o Ministério da Economia da Eslováquia não responderam aos pedidos de comentários do Politico.

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