"Batalhas extremamente duras". Ucrânia resiste como pode mas a Rússia pressiona como nunca para conquista decisiva

14 dez 2024, 13:39
Soldado ucraniano na linha da frente de Pokrovsk (Evgeniy Maloletka/AP)
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

Pokrovsk é o centro logístico de toda a operação na região de Donetsk. A queda desta cidade pode comprometer bem mais do que a defesa naquela zona

Já não dá para negar: a Ucrânia tem um problema sério na linha da frente e está com dificuldades em resolvê-lo. Antecipando aquilo que pode ser uma iminente negociação de paz com a chegada de Donald Trump à Casa Branca, a Rússia está a dar o tudo por tudo para tentar capturar o máximo de terreno antes de esse momento chegar.

E isso é particularmente visível na frente de Donetsk, provavelmente o maior objetivo russo, já que o Donbass, composto por esta região e por Lugansk, foram sempre os principais focos de Vladimir Putin.

Com Lugansk quase totalmente controlada, é na vizinha do sul que a Rússia emprega quase todas as suas forças. Isso mesmo explica que apenas num mês tenha conseguido conquistar cerca de 300 quilómetros quadrados e sete localidades importantes, num avanço que tem vários destinos, mas que vê um em particular: Pokrovsk.

É lá que está o principal hub logístico da guerra que os ucranianos combatem em Donetsk, e que dura já desde 2014, quando rebeldes pró-russos declararam a autoproclamada República Popular de Donetsk.

A esses avanços russos a resposta ucraniana tem sido insuficiente. Mais do que o que se passa no terreno, é uma decisão das Forças Armadas que o confirma. O general Oleksandr Syrskyi, chefe dos três ramos militares da Ucrânia, decidiu despedir o comandante que tinha a liderança militar na região de Donetsk.

Fontes ucranianas confirmaram ao Financial Times que Oleksandr Lutsenko já não está à frente das operações na região, embora lhe tenha sido dado outro cargo no exército. Para liderar a resistência em Donetsk foi escolhido o brigadeiro-general Oleksandr Tarnavskyi.

Ainda esta sexta-feira, e em visita ao centro de comando que fica perto de Pokrovsk, Oleksandr Syrskyi admitiu que os combates que existem de momento são contra um exército “superior, sobretudo em poder humano”.

“As batalhas são extremamente duras. Os russos estão a enviar todas as forças disponíveis para a frente, tentando quebrar a defesa das nossas tropas”, acrescentou o chefe das Forças Armadas da Ucrânia.

O medo é que caiam as quatro localidades que ainda separam os russos de Pokrovsk, numa distância de menos de seis quilómetros. De acordo com o Deep State, um grupo ucraniano próximo do Ministério da Defesa que acompanha a guerra, as forças russas estão a cercar os ucranianos “de todos os lados” naquela direção. Se caírem estas quatro localidades, Pokrovsk será a seguir.

Prova de que a situação está claramente tensa é a decisão da Metinvest, a principal fabricante ucraniana de aço, que anunciou a suspensão de todas as operações na única mina de carvão que o país tem. É que, segundo a mesma empresa que fica nos arredores de Pokrovsk, as forças russas estão a apenas dois quilómetros.

Aquela mina produzia cerca de metade de todo o volume de extração de carvão e era a fonte preferencial da hulha, necessária para a produção de aço, tão crucial para o exército.

E não é só Pokrovsk. Kurakhove e Velyka Novosilka, também em Donetsk, estão na mira russa, que pretende um efeito dominó e fazer algo que não conseguiu nem mesmo nos primeiros dias de guerra, quando avançou a todo o gás: entrar na região de Dnipropetrovsk.

Caso conquiste aquelas três cidades, a Rússia controlará três grandes autoestradas que vão dar diretamente à cidade de Dnipro, capital da região onde as forças russas nunca estiveram, e que é crucial para manter as operações numa linha da frente de quase mil quilómetros.

Perante esta ameaça, e sem revelar o que vem aí, Oleksandr Syrskyi referiu apenas que “decisões não convencionais” podem ser tomadas em breve para “aumentar a estabilidade da defesa e destruir os ocupantes de forma mais eficaz”.

Relacionados

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Europa

Mais Europa