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Bastam "dois dedos de testa" para perceber que "19 drones não se perdem por engano": "Putin sentiu terra mole e avançou"

14 set 2025, 22:05
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No comentário semanal no Jornal Nacional da TVI, Paulo Portas analisou a incursão de 19 drones russos no espaço aéreo da NATO, através da fronteira entre a Bielorrússia e a Polónia

A incursão de 19 drones russos no espaço aéreo da Nato, através da fronteira entre a Bielorrússia e a Polónia, foi um dos temas da semana e Paulo Portas não padece de qualquer hesitação em classificar a ocorrência como "um assunto bastante sério". O comentador da TVI - do mesmo grupo da CNN Portugal - lembra que "esta foi a maior incursão da Defesa russa no território da União Europeia e da NATO desde que houve a invasão da Ucrânia" e assegura que o objetivo do Kremlin se justifica em apenas uma frase: "Putin sentiu terra mole e avançou, porque já percebeu que o Ocidente está em dificuldades para manter uma aliança para lhe fazer frente".

No entendimento de Paulo Portas, os choques estatais dentro da União Europeia e o facto de Donald Trump estar "cada vez mais alheado da questão da Ucrânia" fizeram com que "Putin se sentisse autorizado, por um lado, a intimidar e, por outro, a avisar sobre as suas intenções futuras".

"Foi um aviso que Vladimir Putin quis fazer", lembra, referindo ainda que "o primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, fez bem em dizer que não foi um erro". "Acho que qualquer pessoa com dois dedos de testa percebe porquê, foram pelo menos 19 drones, dirigidos, cinco deles, para infraestruturas logísticas da NATO, para variadíssimos destinos na Polónia, pelo menos em três províncias... Ora, 19 drones não se perdem, por engano, todos ao mesmo tempo, sobretudo quando vão para destinos diferentes", realça, indentificando os trêsobjetivos do Kremlin com esta operação.

OBJETIVO 1

Os países do Báltico - Portas recorda que o corredor de Suwalk, com cerca de 70 quilómetros, é a única ligação terrestre que "permite aos polacos ter acesso aos países bálticos". "Se, porventura, bielorrussos e russos bloquearem este acesso, os bálticos ficam isolados", explica.

OBJETIVO 2

A Polónia -  O comentador considera que o segundo propósito é "evidente". Provocar Varsóvia e "enfraquecer a NATO, testando-a".

OBJETIVO 3

Expor as vulnerabilidades da UE -  Paulo Portas acredita que o Kremlin tentou "algumas vulnerabilidades da defesa europeia". "Não tanto, por exemplo, no combate aéreo, onde há muitos caças de origem europeia, mas na defesa antiaérea, nomeadamente, em relação a drones, mas não só", explica.

"Devo dizer que a reação política dos aliados foi aquela que se espera de aliados, ou seja, países como os Países Baixos, a Alemanha, a França, a Finlândia, a República Checa, a Suécia, a Dinamarca e o Reino Unido, entre outros, enviaram caças, enviaram Patriots, enviaram defesas a NATO", considera Paulo Portas.

Perante o sucedido, Porta alerta que este foi "um sinal" de algo que já tem vindo a ser dito e redito: "Se Donald Trump deixar... A Rússia vencer na Ucrânia, a Rússia não parará na Ucrânia". "E o problema sobra para nós, europeus", culmina.

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