"Atuamos pelos civis". Auchan recusa sair da Rússia e explica porquê

27 mar, 03:30
Supermercado Auchan em Moscovo (Kirill Kudryavtsev/AFP via Getty Images)

Líder do grupo afirma que a marca pode ser importante, dizendo que produz pão fresco todos os dias. De acordo com Yves Claude, o objetivo "continua a ser alimentar as populações"

A cadeia de supermercados francesa Auchan vai continuar a operar na Rússia. A garantia foi deixada este sábado pelo diretor-executivo da empresa, em entrevista ao Le Journal du Dimanche, enquanto continua a guerra na Ucrânia, e várias empresas já deixaram a Rússia, sendo que outras resistem.

Segundo Yves Claude, o grupo opera tendo em conta o interesse da população.

“É inútil colocar as pessoas umas contra as outras. O mais importante para nós é preservar os funcionários e assegurarmos a nossa missão primária, que continua a ser alimentar as populações destes dois países. Nunca tivemos outro objetivo”, disse Yves Claude. A questão dos funcionários também foi defendida por outras marcas. Depois de muita resistência, e com duas reviravoltas pelo meio, a Renault acabou por suspender a sua presença na Rússia, mas assegurando o pagamento dos 45 mil trabalhadores que tem a seu cargo naquele país.

As palavras do diretor-executivo da marca francesa acontecem horas depois de uma publicação do ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia no Twitter, em que Dmytro Kuleba acusa o Auchan de "fazer uma escolha consciente de apoiar as atrocidades da Rússia na Ucrânia e de fazer lucro com sangue".

Mas o Auchan resiste a uma mudança de posição, sendo que o homem-forte do grupo admite que isso pode não ser bem-visto: “Estou pronto para a assumir uma opinião que não está de acordo com a da maioria. É fácil criticarem-nos, mas estamos lá, atuamos pelos civis”.

Yves Claude manteve a narrativa alimentar, dizendo que o Auchan “faz pão fresco nas suas lojas todos os dias para os ucranianos e para os russos, o que é vital neste momento”.

“Acreditamos que podemos contribuir em tempos de inflação para proteger o poder de compra dos habitantes”, acrescentou, lembrando os cerca de 30 mil funcionários que a marca tem na Rússia, onde está presente há 20 anos. “Se o Auchan sai, vamos privar 30 mil funcionários dos seus salários, 40% deles são funcionários e acionistas”.

Os comentários do líder do grupo francês surgem à margem da invasão russa à Ucrânia, que motivou a saída de grandes multinacionais da Rússia. Algumas das marcas que resistem são francesas, e mesmo as que saíram demoraram a fazê-lo, como foram os casos da Renault ou do Crédit Agricole. Curiosamente, a decisão de algumas dessas empresas surgiu horas depois de o presidente ucraniano falar ao parlamento francês, e depois de uma grande insistência ucraniana num boicote àquelas marcas.

Num discurso para os deputados franceses, Volodymyr Zelensky exortou as empresas daquele país a deixarem a Rússia, acusando-as de estarem a apoiar a “máquina de guerra” de Vladimir Putin.

"As empresas francesas devem abandonar o mercado russo. Renault, Auchan, Leroy Merlin e outras devem parar de ser as patrocinadoras da máquina de guerra da Rússia", sustentou.

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