Até um guarda-chuva protege Putin: como o Kremlin defende o presidente

11 mai, 08:00
Vladimir Putin rodeado por dois guarda-costas (AP)

Aparato em torno do presidente russo foi bem visível no Dia da Vitória. Desde máximos de idade a limites de peso, ser guarda-costas de Putin não é tarefa fácil

Embora menor que nos anos anteriores, a parada do Dia da Vitória, que decorreu na Praça Vermelha em Moscovo, pretendeu mais uma vez demonstrar o poderio militar da Rússia ao mundo.

Outro aspeto bem visível do desfile foi a enorme entourage que acompanhava Vladimir Putin. Atrás, à frente e a seu lado, dezenas de homens vigiaram todos os movimentos de quem se aproximava do presidente russo. Mas não eram os únicos.

O trabalho destes homens do Serviço de Guarda Federal da Rússia é bastante misterioso, mas, em outubro do ano passado, o portal Beyond Russia, da agência de notícias estatal RIA Novosti, a mesma dona do canal Russia Today, desvendou alguns dos segredos da operação destinada a garantir a segurança do líder russo.

Segundo explica aquela publicação, são quatro as equipas que asseguram a integridade de Putin em cada aparição pública no exterior. A primeira são os já mencionados guarda-costas, que seguem de perto cada passo de Putin, olham em todas as direções à procura de ameaças e estão em permanente estado de alerta, com as mãos sempre à frente do corpo. A segunda, que o portal considera a mais importante, está junto do público, disfarçadamente à procura de potenciais riscos à segurança do presidente.

Por seu turno, a terceira equipa assegura que ninguém suspeito se consegue aproximar do líder russo. A quarta não se vê e por uma boa razão: é composta por snipers, que se posicionam no topo de edifícios, prontos a disparar sobre qualquer pessoa.

Para além destas quatro equipas, a segurança de Putin é também garantida por engenheiros informáticos que, antes da chegada do presidente, instalam bloqueadores de sinal no local a visitar, para evitar a detonação de qualquer explosivo via rádio.

O que é preciso para se ser segurança de Putin

Não é fácil preencher os requisitos pedidos pelo Kremlin para ser guarda-costas da mais alta figura do Estado russo. Os candidatos têm de ter um perfil psicológico estável, e ser capazes de neutralizar ameaças sem que tal seja percetível por quem está no local.

Os requerimentos de altura e peso são também apertados. Os seguranças têm de ter entre 1,75 e 1,90 metros, e pesar entre 75 e 90 quilos. Quanto à idade, é obrigatório ter menos de 35 anos, que é também a idade de reforma destes operacionais, dado o alto desgaste físico e psicológico deste trabalho.

Os seguranças de Vladimir Putin têm também de ter bastante capacidade de resistência, e suportar temperaturas frias apenas de fato, uma vez que as roupas volumosas podem limitar os seus movimentos. Estes indivíduos são também treinados para não suar com o calor, algo bastante necessário dados os quentes verões russos.

Fora das capacidades físicas, os homens que rodeiam Putin têm também de saber falar algumas línguas estrangeiras, sendo o inglês obrigatório, e ter um mínimo de conhecimento da política interna e externa, para saber quem se aproxima do presidente a qualquer momento.

A publicação estatal russa revela também uma curiosidade: fora do trabalho e dos treinos, todos os seguranças estão autorizados a fumar, para ajudar a aliviar do stress.

Outro aspeto bastante visível do desfile de segunda-feira foi a presença de vários seguranças a carregar malas de mão. Como a CNN Portugal explicou, uma dessas malas carrega o dispositivo que permite ao presidente russo ativar o arsenal nuclear do país

Os seguranças também levam consigo uma pistola Gurza de 9 mm, capaz de disparar 40 balas por minuto e perfurar um colete à prova de bala a 50 metros. Por essa razão, esta arma está mesmo proibida em alguns países, como os Estados Unidos. Outro objeto bastante importante é o guarda-chuva de kevlar, semelhante ao usado pela equipa de segurança do presidente francês Emmanuel Macron quando este enfrentou alguma contestação em Cergy-Pontoise, nos subúrbios de Paris, que é suficientemente resistente para proteger Putin de balas e outros projéteis.

Seguranças de Emmanuel Macron protegem o presidente francês com um guarda-chuva de kevlar (Getty Images)

Embora pareça que o mundo saiba bastante em relação ao trabalho destes homens, convém lembrar que estas informações foram reveladas com o consentimento do Kremlin, possivelmente com o objetivo de mostrar que Vladimir Putin está bem protegido e dissuadir eventuais atacantes.

Reformam-se cedo, mas não saem de mãos a abanar

A reforma aos 35 pode assustar qualquer um, mas estes homens têm sorte: o patrão é generoso.

Uma investigação do jornal russo Novaya Gazeta, do ano de 2018, revelou que Vladimir Putin recompensou a lealdade dos seus antigos guarda-costas com a concessão de terrenos, alguns deles expropriados, nas zonas mais caras da Rússia, e títulos honoríficos.

Ser guarda-costas de Putin é, então, um passo importantíssimo para ascender socialmente. Veja-se o exemplo de Aleksey Dyumin. Passou de guarda-costas a chefe da equipa de segurança do presidente. Posteriormente, foi promovido a líder das Forças de Operações Especiais da Rússia, onde supervisionou a anexação da Crimeia, tendo entrado no mundo da política em 2015, como vice-ministro da Defesa. No ano seguinte, foi eleito governador da região de Tula. Dyumin recebeu também, do presidente russo, a condecoração como “Herói da Federação Russa”, o título honorário mais importante do país.

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