As quatro vidas de Abramovich: proibido de entrar na UE, mas não em Portugal e na Lituânia

18 mar, 20:34

Portugal procura bens dos oligarcas russos no país, mas os resultados, até agora, têm sido escassos

Numa altura em que as autoridades europeias - incluindo as portuguesas - continuam à procura dos bens dos oligarcas russos pela União Europeia, em Portugal essas sanções apenas levaram ao congelamento de uma única conta bancária com 242 euros.

A informação foi revelada esta sexta-feita pelo Banco de Portugal que não identifica, contudo, o proprietário da conta, nem se este é uma pessoa ou uma empresa ligada a um dos oligarcas identificados por Bruxelas como próximos de Vladimir Putin e apoiantes do regime de Moscovo.

Entretanto, além do Banco de Portugal há outras entidades que estão à procura de outro tipo de bens como imóveis, participações sociais em empresas e ações.

Por outro lado, o Banco de Portugal revela que a suspensão do sistema de comunicações financeiras entre Portugal e vários bancos da Rússia levou as transferências de dinheiro entre os dois países a caírem de uma média diária de 2 milhões euros para 700 mil euros depois das sanções europeias provocadas pela invasão da Ucrânia.

Os quatro passaportes de Abramovich

Roman Abramovich foi um dos últimos oligarcas a ser incluído, já esta semana, nos nomes alvo de sanções. Contudo, ao contrário de outros oligarcas, o dono do Chelsea não está totalmente proibido de viajar para a União Europeia (UE).

O bilionário que a UE considera que está ligado a Putin tem quatro nacionalidades (russa, israelita, lituana e portuguesa) e fonte da Comissão Europeia confirma à CNN Portugal que nenhum Estado-membro pode ser obrigado a recusar a entrada a um cidadão do próprio país, algo que um jurista adianta que nem poderia acontecer à luz da lei portuguesa.

A mesma fonte de Bruxelas refere que Portugal não pode proibir a entrada a um cidadão nacional, mas essa sanção tem de ser aplicada pelos outros Estados da União Europeia. 

Na prática, Abramovich não pode entrar e circular na União Europeia, excepto em Portugal e na Lituânia.

O paradeiro de Abramovich é nesta altura incerto: foi visto pela última vez no início da semana, no aeroporto de Telavive, numa altura em que um jato privado de que é dono levantava voo para Istambul, na Turquia. O mesmo avião seguiria, horas depois, de Istambul para Moscovo mas não é certo se o bilionário russo iria lá dentro. 

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