Alerta: preços mais altos de alimentos e energia podem durar “anos”

CNN , Matt Egan
29 abr, 08:29
Supermercado (Foto: Getty Images)

Banco Mundial traça o horizonte de 2024 para estabilização dos preços. Invasão russa da Ucrânia é principal motivo para as flutuações, que se receia afetarem sobretudo famílias com menores rendimentos

A invasão da Ucrânia pela Rússia contribuiu para um choque histórico nos mercados das matérias-primas, que fará com que os preços globais se mantenham altos até o final de 2024, segundo o Banco Mundial.

O aumento nos preços da energia nos últimos dois anos é o maior desde a crise do petróleo de 1973, enquanto o aumento nos preços dos alimentos é o maior desde 2008, informou o Banco Mundial no seu relatório de perspetivas dos mercados de matérias-primas.

“No geral, representa o maior choque nas matérias-primas que vivemos desde a década de 1970”, disse Indermit Gill, vice-presidente de Crescimento Equitativo, Finanças e Instituições do Banco Mundial.

A Rússia é um dos principais exportadores de petróleo, gás natural e carvão, enquanto a Ucrânia é uma importante fonte de trigo e milho. A situação agravou-se com o aumento dos custos dos fertilizantes e os picos nos preços dos principais metais.

Depois de quase duplicarem, no ano passado, os preços da energia devem saltar mais de 50% este ano, antes de diminuírem em 2023 e 2024, disse o Banco Mundial. Os preços dos alimentos vão subir 22,9% este ano, com destaque para um aumento de 40% nos preços do trigo, segundo o relatório.

“Estes desenvolvimentos começaram a levantar o espectro da estagflação”, alertou o Banco Mundial. “Os responsáveis políticos devem aproveitar todas as oportunidades possíveis para aumentarem o crescimento económico nacional e evitarem ações que prejudiquem a economia global.”

Os preços devem permanecer em “níveis historicamente altos” até ao final de 2024, disse o Banco Mundial.

O receio é que os preços altos dos bens essenciais atinjam mais fortemente as famílias de baixos rendimentos.

“O resultante aumento dos preços dos alimentos e da energia está a ter consequências humanas e económicas significativas - e impedirá, provavelmente, o progresso na redução da pobreza”, disse Ayhan Kose, diretor do Grupo de Pesquisa do Banco Mundial, no relatório.

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