A imagem da cozinha amarela. "A lembrança de como a guerra pode destruir vidas num ápice”, com apenas um míssil russo Kh-22

17 jan, 09:21
A Cozinha Amarela de Dnipro (imagem Facebook Zoya Yarosh)

O mesmo espaço, duas realidades contrastantes. Vídeos e imagens mostram o antes e o depois do ataque entre as quatro paredes de cor vibrante

Uma cozinha amarela, de cor aguerrida ligada tantas vezes à alegria e felicidade, onde se celebraram conquistas, feitos e tantos outros aniversários. Esta é ou era a cozinha do conhecido treinador de boxe ucraniano Mykhailo Korenovsky. A divisão faz parte de um dos apartamentos da zona residencial de Dnipro que foi atingida por um míssil russo Kh-22, no passado sábado.

Morreram pelo menos 41 pessoas, Mykhailo Korenovsky foi uma delas. A mulher e as filhas alegadamente terão sobrevivido e a imagem da cozinha amarela está a tornar-se num símbolo das "feridas da Ucrânia", como afirmou Zoya Yarosh, autarca de Kiev.

Do Telegram ao Facebook, surgem vídeos e imagens de um antes e depois. Tudo praticamente igual no interior da divisão, mas a parede exterior é agora inexistente, tal como a felicidade que outrora se transpunha pelas redes sociais em vídeos como este, no aniversário da filha de Korenovsky.

A imagem impressiona pelo contraste. Um antes e um depois da guerra. A felicidade contra a tristeza e medo. O normal versus o anormal. O absurdo e o medo que vieram com a invasão. A aconchegante cozinha acabou devastada em questão de segundos pelo ataque russo, como conta a BBC.

A BBC realça que não é certo quando este vídeo foi filmado nem se a mulher e duas crianças são efetivamente a mulher e filhas de Mykhailo Korenovsky, que supostamente terão sobrevivido ao ataque, mas “é uma lembrança de como a guerra pode destruir vidas num ápice”.

A tigela com fruta continua na mesa, os pratos ficaram por lavar, os suplementos vitamínicos ainda estão à espera de ser tomados e as luvas permanecem na pega do forno. A vida desta família foi interrompida, ficou suspensa e nada voltará a ser igual, tudo isto por culpa do Kh-22.

“A cozinha cor do sol. Um dia os donos escolheram exatamente esta - brilhante e arrojada. Aqui as pessoas cozinhavam, tinham conversas, comemoravam, riam e discutiam. Planearam algo no trabalho, marcaram férias. Fizeram-se panquecas de manhã com ajuda de filhos ou netos.

Sonhou-se com o futuro enquanto se pegava numa chávena de chá com mel. Mel, a cor do sol, na cozinha da cor do sol.

Dnipro. A vida destruída. O míssil X22 da Rússia. Esta cozinha é como a Ucrânia, na qual todos vivemos e sonhamos. Ucrânia, cuja bandeira também é da cor do sol", disse a autarca de Kiev, Zoya Yarosh, no Facebook.

Nas redes sociais, são vários os que vão destacando pequenos detalhes e tentam perspetivar realidades que possam ou não ter ocorrido entre aquelas paredes amarelas, antes, durante e depois do conflito.

“Quando olho para esta cozinha, tudo o que vejo é o apartamento onde cresci. O apartamento dos meus avós, onde vivia, o apartamento onde os meus primos viviam. Todos tínhamos dois bancos enfiados debaixo da mesa da cozinha. Exatamente assim”, escreveu uma cidadã ucraniana de nome Alina no Twitter.

 

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