Conselheiro de Volodymyr Zelensky diz à CNN Portugal que "os parceiros também têm de obter algo" da guerra, avisando que não pode ser a Rússia a conseguir ficar com os metais raros
“Os parceiros também têm de obter algo desta guerra”. É desta forma que o conselheiro do gabinete do presidente da Ucrânia vê a pretensão de Donald Trump de explorar os metais raros existentes em solo ucraniano.
Em declarações à CNN Portugal, Mykhailo Podolyak afirma que gosta da “abordagem pragmática” do presidente norte-americano, que quer “falar sobre temas concretos”, incluindo uma forma de os próprios Estados Unidos terem vantagem na guerra.
“Os parceiros também têm de obter algo desta guerra. Não apenas perdas, mas também proveitos”, reitera, referindo que o mesmo acontece com a Rússia, no que vê como uma “atitude normal”.
“A Ucrânia pode ter armas adicionais e ajuda adicional e os Estados Unidos, por sua vez, vão conseguir que a Rússia perca uma parte essencial do mercado global e perderá também capacidade para negociar no mercado global de armamento”, continua Mykhailo Podolyak, vendo as oportunidades russas a diminuir em vários mercados.
Por isso, e assumindo também um pragmatismo próprio, o conselheiro ucraniano lembra que “a guerra é matemática: ou ficamos com as perdas ou com os lucros. A Rússia luta porque vai conseguindo os proveitos da guerra. Vender o petróleo está a gerar dinheiro para que a guerra continue. A Rússia, ao manter os territórios onde estão os materiais raros, está a conseguir proveitos fabulosos da guerra”.
“A guerra é sempre um negócio. A guerra é sempre perdas ou lucros. Isto é óbvio”, sublinha Mykhailo Podolyak, assinalando que não se trata apenas de uma troca de “lítio pelas armas”, mas antes de um “objetivo mais vasto”.
O conselheiro ucraniano diz, assim, que há “duas opções: “Ou a Rússia controla estes depósitos e aumenta o seu papel e influência no mercado global, ou nós controlamos”.
Só que, ressalva, para que a Ucrânia consiga controlar esses territórios é preciso “atingir a Rússia de forma estratégica”.
“Isto é uma arma. Estes depósitos não vão desaparecer. Continuarão no território da Ucrânia. No território de um Estado soberano”, termina.