A Gotlândia está em alerta

12 mai, 20:42

Ameaças da Rússia à Suécia elevaram o alerta do país - e nesta ilha

É quase quatro vezes maior que a ilha da Madeira mas tem apenas um quinto da população do Funchal. A vida na ilha da Gotlândia, na Suécia, era até há pouco tempo pacata mas a ameaça de uma guerra na Europa, e em especial no Báltico, mudou a vida dos pouco mais de 60 mil habitantes.

Nas últimas semanas, e pela primeira vez em vários anos, têm chegado ao local vários soldados para fazerem exercícios reais. Patrulham as ruas e o porto de Visby, a capital da ilha, enquanto nos bosques envergam camuflados e armas. O caso não é para menos: no meio do Mar Báltico, esta ilha é uma das localidades suecas mais perto de São Petersburgo e de Kaliningrado (apenas a 330 quilómetros), cidades que fazem parte da Federação Russa.

De resto, pela sua posição estratégica, aquele local foi alvo de diferentes invasões ao longo dos tempos, uma das quais em 1808, por ordem do czar russo Alexandre I, que acabou vergado a uma derrota 26 dias depois. A tensão, porém, nunca deixou de estar presente e voltou a aumentar nos tempos da Guerra Fria.

A queda do muro de Berlim acabou por trazer a estabilidade à Gotlândia, o que motivou a Suécia a reduzir os regimentos militares no local. Em 2005 saíram da ilha os últimos membros do exército, que regressaram em 2014, na sequência da anexação russa da península da Crimeia, na Ucrânia. Avisada, a Suécia restabeleceu o serviço militar obrigatório, reinstalou uma base a cinco quilómetros de Virby e voltou a ativar o sistema de defesa antiaérea.

A possível adesão à NATO, da qual a Suécia está cada vez mais perto, motiva a Rússia a fazer ameaças diárias, como também faz à Finlândia pelo mesmo motivo. Mas Estocolmo parecia já adivinhar a situação e assim que Vladimir Putin destacou 100 mil soldados para a fronteira com a Ucrânia, a Suécia apressou-se a enviar centenas de militares para Gotlândia. Na altura, o ministro da Defesa, Peter Hultqvist, afirmou que não se podia “descartar a possibilidade de um ataque [russo] à Suécia”.

Em declarações ao jornal El País, o coronel Magnus Frykvall refere que o aumento de militares já se nota, mas que vai crescer muito mais nos próximos anos: “Vamos reforçar-nos até chegarmos aos quatro mil efetivos”, diz o militar, que tem experiência em missões no Kosovo, Afeganistão ou Mali.

Entre essas forças estão, desde a semana passada, membros do batalhão da Guarda Nacional, uma força de reserva que agora cumpre um plano de treinos especial. Mas não são apenas militares: o número de voluntários para o exército cresceu desde que a invasão russa se efetivou, a 24 de fevereiro.

O destacamento sueco implicou um investimento de 1,6 mil milhões de coroas suecas, cerca de 150 milhões de euros.

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