A Coreia do Norte vai ajudar ainda mais a Rússia na Ucrânia. Agora chegou a vez dos drones

CNN , Nick Paton Walsh, Daria Tarasova-Markina e Victoria Butenko
21 ago, 07:50
Putin, Xi Jinping e Kim Jong-un (Reuters)
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Multiplica-se o apoio de Pyongyang a Moscovo

Uma nova leva de tropas norte-coreanas, que já são 8.500 na Rússia, inclui uma unidade de drones capaz de atacar alvos dentro da Ucrânia, segundo um alto funcionário dos serviços de informação ucranianos.

A Coreia do Norte, que assinou um pacto de defesa mútua nos moldes da NATO com a Rússia há dois anos, tem enviado tropas para auxiliar as operações militares de Moscovo desde o final de 2024 e poderá ser solicitada a contribuir com até 50 mil soldados adicionais quando o presidente Vladimir Putin se encontrar com o seu homólogo Kim Jong-un em setembro, de acordo com o major-general Vadym Skibitskiy, vice-chefe da Informação de Defesa da Ucrânia.

Tal movimento representaria uma expansão significativa da cooperação militar entre Moscovo e Pyongyang e ocorre numa altura em que a Ucrânia enfrenta uma grave escassez de defesas aéreas. É mais um sinal de que os recursos da Rússia são escassos e de que o país está aberto a receber ajuda, apesar das declarações públicas sobre a sua resiliência económica e capacidade industrial militar.

Skibitskiy afirma que as tropas norte-coreanas já mobilizadas estão concentradas sobretudo na região de Kursk, na Rússia, e incluem mil engenheiros e desminadores. Incluem também 400 operadores de drones, muitos dos quais adquiriram experiência em missões anteriores contra a Coreia do Norte, e cujos drones serão provavelmente utilizados tanto para reconhecimento como para ataques a alvos dentro da Ucrânia.

O reforço dos laços entre a Coreia do Norte e a Rússia preocupa muitos membros da NATO, sobretudo depois de o presidente Donald Trump ter anunciado, no domingo, que os exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul seriam reduzidos para não antagonizar Kim Jong-un — o recluso líder norte-coreano com quem Trump está ansioso por se voltar a encontrar.

A poderosa irmã de Kim Jong-un, Kim Yo-jong, negou as alegações de que dezenas de milhares de norte-coreanos se juntariam em breve aos esforços da Rússia, classificando-as como um "cenário infundado e fabricado pela própria Rússia".

Os serviços de informação ucranianos sugerem que as tropas norte-coreanas enviadas para a Rússia não vão combater em território ucraniano, afirma Skibitskiy, mas vão reforçar as posições de retaguarda russas, libertando tropas russas para ataques dentro da Ucrânia.

Embora a Ucrânia tenha alertado pela primeira vez em outubro passado para a utilização de drones de ataque pelas tropas norte-coreanas no seu território, esta é a primeira indicação de que a nova vaga de tropas terá essa capacidade. Além do provável pedido de Putin por mais tropas, cerca de 25 mil norte-coreanos já foram mobilizados ou passaram por rotação nas Forças Armadas russas, acrescenta Skibitskiy.

O primeiro destacamento de tropas norte-coreanas ocorreu na região de Kursk, em outubro de 2024, para repelir uma incursão ucraniana, a primeira em solo russo desde os nazis. A Coreia do Norte manteve-se em silêncio durante meses sobre o seu destacamento inicial de tropas para auxiliar a máquina de guerra russa, confirmando apenas a presença dos seus soldados a combater a Ucrânia em abril de 2025. Estima-se que 10 mil norte-coreanos tenham sido mobilizados e sofrido baixas significativas, tendo utilizado táticas suicidas para atacar em massa as posições ucranianas.

A vontade da Coreia do Norte em suportar tais perdas reflete o alcance das alianças globais da Rússia e a necessidade de Moscovo de reforços humanos. Os feridos regressaram à Coreia do Norte capazes de instruir os seus colegas sobre a guerra com drones e a nova realidade das linhas da frente dominadas pela tecnologia.

Realçando a força dos laços entre os dois países, os meios de comunicação estatais russos exibiram imagens de tropas norte-coreanas em treino em território russo ao longo do último ano, e Kim Jong-un inaugurou um memorial em homenagem aos norte-coreanos mortos na Ucrânia em abril.

Skibitskiy destaca ainda a extensão da contribuição da Coreia do Norte com a tecnologia de mísseis para a ofensiva russa.

O responsável nota que, antes de agosto do ano passado, pelo menos 150 mísseis balísticos KN 23 ou KN 24 tinham sido enviados pela Coreia do Norte para utilização dentro da Ucrânia, e outros 120 foram prometidos. Estas armas estão a revelar-se cada vez mais difíceis de serem intercetadas por Kiev, dado que os stocks de intercetores Patriot americanos – um dos poucos sistemas capazes de abater mísseis balísticos – estão praticamente esgotados.

Quarenta destes mísseis já foram entregues, diz Skibitskiy, e suspeita-se que dois tenham sido utilizados em Radushne, na região de Dnipro, no dia 30 de julho, num ataque que matou pelo menos quatro crianças da mesma família.

Cerca de 90 pessoas foram enviadas para Voronzeh para auxiliar nos lançamentos de mísseis, afirma o responsável, com dez grandes voos de carga, possivelmente contendo mísseis da Coreia do Norte, a aterrar no aeródromo de Baltimore, na região de Voronezh.

Skibitskiy diz que as versões mais modernas dos mísseis têm um alcance alargado de 800 km, mas caem frequentemente a 15-19 km do alvo. Explica também que a Coreia do Norte está a utilizar os lançamentos na Ucrânia para melhorar a precisão e a capacidade de carga dos mísseis.

Em troca do fornecimento de pessoal e munições à Rússia, a Coreia do Norte solicitou o sistema de defesa aérea russo S-400 e já recebeu um lançador de mísseis terra-ar Pantsir 1, completa Skibitskiy.

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