6 pontos-chave sobre as forças militares da China. O alerta do principal general americano

CNN , Zachary B. Wolf
7 abr, 20:00
Campos de treino paramilitar na China

ANÁLISE. General de alta patente lança aviso sobre as forças armadas da China. Este é o contexto

A China e a Rússia estão empenhadas em mudar a "ordem global atual baseada em regras", avisa o principal general dos Estados Unidos.

O prognóstico do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, general Mark Milley, apresentado esta terça-feira, quando solicitou ao Congresso reforço do financiamento para o Pentágono, destina-se a uma era em que a guerra em larga escala entre as grandes potências é uma possibilidade. "Estamos a entrar num mundo mais instável, e o potencial de um conflito internacional significativo entre grandes potências está a aumentar, não a diminuir."

A invasão da Ucrânia pela Rússia ameaça "não apenas a paz e a estabilidade europeias, mas a paz e a estabilidade globais que os meus pais e uma geração de americanos lutaram tanto para defender", disse Milley.

Na verdade, Milley não está a pedir dinheiro suficiente para o Pentágono, de acordo com muitos republicanos e alguns democratas moderados, que observaram que o Departamento de Defesa não levou em conta a inflação quando solicitou 773 mil milhões de dólares para 2023 – um aumento de 4%, o que é inferior à inflação, atualmente a mais alta em 40 anos. Para lidar com a inflação, há pedidos para que o Pentágono receba mais do que pediu. A guerra na Ucrânia e advertências como as de Milley só vão fazer os americanos focarem-se muito mais na segurança.

A ameaça que a Rússia representa para os aliados da NATO na Europa é clara desde a invasão da Ucrânia, mas Milley referiu-se à Rússia incluindo a China no mesmo discurso. O crescimento das forças armadas da China, particularmente as da sua marinha, tem preocupado nos últimos anos as autoridades de defesa e os congressistas americanos.

Uma nova corrida armamentista. Um símbolo das preocupações com o domínio militar dos EUA é o foco muito específico dado nas últimas semanas aos mísseis hipersónicos.

“Os EUA colocaram uma nova ênfase nas armas hipersónicas após a realização de testes russos e chineses bem-sucedidos nos últimos meses, exacerbando a preocupação em Washington de que os EUA estão a ficar para trás numa tecnologia militar considerada crítica para o futuro”, escreveu recentemente Oren Liebermann, da CNN.

Há uma narrativa crescente – não muito diferente da defendida pelo presidente Joe Biden, de que os EUA estão a ficar para trás em relação à China na sua capacidade tecnológica – de que as forças armadas dos EUA estão a ficar para trás das da China. "A modernização militar chinesa, que não tem precedentes, permitiu que eles nos superassem em capacidades-chave", disse o deputado Mike Rogers, do Alabama, na audiência na terça-feira. "O Partido Comunista Chinês agora controla os maiores exército e marinha do mundo. Tem mais tropas, mais navios e mais mísseis hipersónicos do que os Estados Unidos."

Para saber mais sobre o que os EUA sabem sobre a capacidade e os gastos militares da China, entrei em contato com Matthew P. Funaiole, especialista em China, analista de dados e membro sénior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

Seis pontos-chave de nossa conversa por telefone, ligeiramente editados para uma maior clareza e extensão:

1. A China tem um objetivo estratégico de longo prazo que envolve os EUA

FUNAIOLE: A China quer estabelecer-se como o principal agente de poder no Indo-Pacífico, tirar o lugar aos EUA nesse sentido, e vê as suas forças armadas como um dos principais meios de fazer isso... Podemos ver isso a materializa-se numa série de maneiras diferentes.

A que recebe mais atenção é a China estar a atualizar a sua marinha, todos os seus esforços na construção de novos grupos de combatentes de superfície, a modernização de submarinos e o desenvolvimento de um programa de porta-aviões. É aí que estamos a ver mais avanço a acontecer muito rapidamente.

2. A ideia de que a China “ultrapassou” os EUA precisa de contexto

FUNAIOLE: A China ainda está consideravelmente atrás dos EUA em termos de gastos gerais (menos da metade, de acordo com esta estimativa). Mas uma ressalva importante a fazer é que os EUA mantêm uma presença global e possuem ativos militares em todo o mundo... As forças da China estão muito mais localizadas na sua região... mas também gastam mais do que a Coreia, Japão e Vietname juntos... Por isso, é preciso pensar neste assunto pondo em contexto como esses gastos se comparam.

Em termos de tecnologia, Funaiole argumenta que os EUA ainda mantêm uma vantagem em investigação e desenvolvimento, mas que a China trabalhou claramente para recuperar o atraso em algumas áreas específicas.

3. As forças armadas da China, como as da Rússia, não têm o esqueleto humano das forças armadas dos EUA

FUNAIOLE: Os EUA, para o bem ou para o mal, têm-se envolvido em conflitos em todo o mundo de forma bastante consistente desde o fim da Segunda Guerra Mundial, enquanto as forças armadas da China não foram testadas. Por isso, a tecnologia será importante e os gastos militares são realmente importantes.

Mas o único lugar em que a China não pode realmente dar um salto à frente, porque se baseia apenas na experiência, é a componente do pessoal. Enquanto os EUA podem aproveitar gerações de experiência enraizada... A tecnologia explica uma parte disto, os gastos explicam uma parte disto, mas também há aquela componente do pessoal em que a China não tem a mesma experiência.

4. China e Rússia não são exatamente aliados

FUNAIOLE: Este enquadramento de autocracias versus democracias, penso, é eficaz para entender o que está realmente em risco agora, na forma como pensamos sobre estas regras e ideais internacionais. A China e a Rússia trabalham juntas como parceiras, estão mais próximas em algumas coisas do que noutras - mas não são aliadas da mesma forma que tradicionalmente pensamos em aliados no sistema norte-americano.

A prova que Funaiole mostra é que o Ocidente - incluindo os EUA e os seus aliados - efetivamente se uniu contra a Rússia na Ucrânia, mas a China permaneceu a uma distância curta.

5. Fique atento ao desenvolvimento da marinha chinesa

FUNAIOLE: Quando a China lançar o seu terceiro porta-aviões, que será um porta-aviões “flat-top”, usará um... sistema de catapulta para lançar aeronaves - isto é uma nova tecnologia avançada... Daqui a alguns anos, quando isto estiver realmente implementado na marinha chinesa, será algo de que as pessoas estarão a falar. Quando a China desenvolver o seu primeiro reator nuclear para alimentar de energia os porta-aviões, isso será algo de que as pessoas começarão a falar...

Precisamos de ter uma compreensão mais abrangente dos espaços em que a China está a investir, onde a China está a atualizar as suas forças armadas e o que isso necessariamente significa, no que diz respeito aos interesses dos EUA, na capacidade dos EUA de desenvolver ou alavancar contramedidas existentes.

6. A dificuldade de Putin na Ucrânia envia uma mensagem à China

FUNAIOLE: Se há um mês ou há seis semanas se pensava que se poderia testar o sistema e que não se receberia necessariamente muito retorno dele, pode pensar-se de forma diferente sobre isto agora... Estamos certamente a entrar, ou já entrámos, numa era mais multipolar, em que os dias ​​da unipolaridade dos EUA desapareceram, mas também estamos a ver uma utilização bastante eficaz de como os EUA podem construir coligações com os seus aliados e parceiros para ajudar a reforçar os princípios, ideais e instituições que defendem.

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