25 jovens violadas numa cave por soldados russos, 9 engravidaram: "Isto vai acontecer a todas as prostitutas nazis"

12 abr, 12:31
Guerra na Ucrânia (AP Photos)

BBC revela história desta cave mas não só - os relatos são perturbadores. "Os soldados russos disseram-lhes que iriam violá-las até ao ponto em que elas não iriam querer qualquer contacto com um outro homem e assim evitariam que tivessem filhos ucranianos". Outra frase documentada dita por soldados russos: "Isto vai acontecer a todas as prostitutas nazis"

"Anna" vivia com o marido numa zona rural a cerca de 70 quilómetros de Kiev quando, a 7 de março, tudo mudou. A história é contada pela BBC: esta mulher de 50 anos, cujo nome não é revelado para proteger a sua identidade, estava em casa com o marido quando um soldado estrangeiro a invadiu. Era um jovem, magro, combatente checheno aliado com as forças russas, descreve Anna.

"Apontou-me uma arma e levou-me para uma casa vizinha. E ordenou: 'Tira as tuas roupas ou disparo'. Ele continuou a ameaçar matar-me se eu não fizesse o que ele dizia. E depois violou-me", conta a ucraniana à BBC, prosseguindo: "Enquanto me violava chegaram mais quatro homens. Pensava que era o meu fim. Mas eles levaram-me. Nunca mais o voltei a ver". Anna acredita que foi salva por outra unidade de soldados russos.

Anna regressou à casa e encontrou o marido. Tinha sido baleado no abdómen. "Ele tentou correr atrás de mim para me salvar mas foi atingido por vários tiros." O casal procurou abrigo na casa de um vizinho mas não conseguiu ir para o hospital por causa dos confrontos. O homem não resistiu aos ferimentos e morreu dois dias depois.  

Segundo escreve a BBC, a mulher nunca parou de chorar enquanto contava a sua história. Durante a entrevista mostrou onde é que ela e os vizinhos enterraram o homem, no quintal da própria casa. Naquele lugar, uma cruz de madeira ergue-se no topo da sepultura. Um mês depois, Anna permanece em contacto com o hospital local e a receber apoio psicológico.

Os soldados que a salvaram acabaram por permanecer na sua casa durante alguns dias. Anna relembra que lhe apontaram as armas e ordenaram que lhes entregassem os bens do marido. "Quando eles saíram encontrei drogas e Viagra. Eles ficavam drogados e muitas vezes estavam bêbedos. A maioria são assassinos, violadores e ladrões. Apenas alguns são bons."

"Torturada por desconhecidos, sepultada por soldados russos"

Ao fundo da rua onde vivia Anna, as jornalistas da BBC ouviram outro relato. Uma mulher foi alegadamente raptada e morta. Os vizinhos dizem que pelos mesmos soldados que violaram Anna.

A mulher tinha cerca de 40 anos. Foi retirada da própria casa, contam os vizinhos, e retida na casa de banho de uma casa vizinha. A residência, bem decorada com papel de parede ornamental e uma cama com uma cabeceira dourada, é agora um local do crime perturbador. Há enormes manchas de sangue no colchão e no edredão. Num canto, um espelho tem uma nota escrita a batom - "torturada por desconhecidos, sepultada por soldados russos", pode ler-se.

Oksana, uma vizinha, diz aos jornalistas da BBC que a mensagem foi deixada por soldados russos que encontraram o cadáver da mulher e que a sepultaram. "Eles [os soldados russos] disseram-me que ela tinha sido raptada e que a garganta foi cortada ou esfaqueada e que acabou por sangrar até à morte. Disseram que havia muito sangue."

A mulher de 40 anos foi enterrada numa sepultura no jardim da casa. Um dia depois da visita dos jornalistas da BBC, a polícia exumou o corpo para investigar o caso. Estava sem roupas, com um profundo e largo corte ao longo do pescoço.

O chefe da polícia da região de Kiev, Andrii Nebytov, relata outro caso que está a ser investigado numa vila a 50 quilómetros a oeste de Kiev.

Uma jovem família - um casal com cerca de 30 anos e uma criança - vivia numa casa na periferia da aldeia. "A 9 de março, vários soldados do exércio russo entraram na casa. O homem tentou proteger a mulher e o filho. Então eles atiraram sobre ele no quintal", relata o polícia. "Depois disso, dois soldados violaram repetidamente a mulher. Entretanto iam embora e depois voltavam. Voltaram três vezes para a violar. Ameaçaram-na que se ela resistisse eles fariam mal ao pequeno rapaz. Para proteger o filho, ela não resistiu."

Quando os soldados foram embora, incendiaram a casa e mataram a tiro os cães da família. A mulher e o filho escaparam e contactaram a polícia. Andrii Nebytov diz que a sua equipa foi ao encontro da mulher e gravou o seu testemunho. 

As autoridades têm estado a recolher provas na casa da família - cuja estrutura é o que resta. Isso e apenas alguns sinais de uma vida anteriormente pacífica espalhada entre as cinzas. Os jornalistas identificaram uma bicicleta de criança, um cavalo de peluche, uma coleira de um cão e um sapato de inverno de homem.

O homem foi sepultado pelos vizinhos no jardim. Tal como no caso anterior, a polícia exumou o corpo para análise. As autoridades pretendem levar o caso aos tribunais internacionais. 

A representante para os direitos humanos da Ucrânia, Lyudmyla Denisova, diz à BBC que está a documentar vários casos semelhantes.

"Isto vai acontecer a todas as prostitutas nazis"

"Cerca de 25 meninas e mulheres com idades entre os 14 e os 24 anos foram sistematicamente violadas numa cave durante a ocupação de Bucha. Nove delas estão grávidas", afirma Lyudmyla Denisova. "Os soldados russos disseram-lhes que iriam violá-las até ao ponto em que elas não iriam querer qualquer contacto com um outro homem e assim evitariam que tivessem filhos ucranianos".

Lyudmyla Denisova diz que está agora a receber várias chamadas de linhas de apoio - e também a obter informação através de canais no Telegram. "Uma mulher de 25 anos ligou a contar-nos que a irmã de 16 anos foi violada na rua à sua frente. Ela disse que eles gritaram 'isto vai acontecer a todas as prostitutas nazis' enquanto violavam a irmã".

A BBC questionou se seria possível avaliar a escala dos crimes sexuais pelas tropas russas durante a invasão. "Tal é impossível de momento porque nem toda a gente está disposta a contar-nos o que aconteceu. A maioria liga para obter apoio psicológico, então não podemos reportar as chamadas como crimes a não ser que nos deem o seu testemunho," explica  Lyudmyla Denisova.

A responsável indica que a Ucrânia quer que seja criado um tribunal especial pelas Nações Unidas para julgar Vladimir Putin pessoalmente pelas alegações de crimes de guerra, incluindo violações. "Quero perguntar a Putin: porque é que isto está a acontecer?", disse Anna, a mulher que relatou que foi violada. "Eu não percebo. Não vivemos na Idade da Pedra, porque é que ele não pode negociar? Porque é que ele está a ocupar e a matar?"

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