João Ferreira considera que o PCP teve "lucidez" e "coragem" ao votar contra a condenação da Rússia pela invasão da Ucrânia

1 mar, 22:36

Partido votou esta terça-feira contra resolução do Parlamento Europeu de condenação da Rússia pela invasão à Ucrânia. João Ferreira considera que a Europa está a penalizar o povo russo

“Perante uma situação que é de uma enorme gravidade, foi esta a lucidez e, creio que num certo sentido, a coragem que foram necessárias àqueles deputados que não votaram a favor desta resolução", disse esta terça-feira na CNN Portugal o antigo eurodeputado do PCP João Ferreira. Para o comunista, esta condenação do Parlamento Europeu à Rússia nada mais é do que "atirar gasolina para uma fogueira que já atingiu uma dimensão considerável”.

João Ferreira acredita que a resolução europeia vai simplesmente "escalar o conflito com tudo o que isso pode comportar de sofrimento" e "criar clivagens ainda mais profundas entre dois povos que durante décadas conviveram". O comunista refere que o imperativo geopolítico mundial tem de ser "criar condições" para que se voltem a estabelecer relações como acontecia até 2014.

O ex-eurodeputado alerta ainda que estas medidas que têm vindo a ser adotadas pelo Ocidente"não vão afetar qualquer oligarca russo, como objetivam no seu desenho, mas sim o povo russo, ucraniano e até europeu. “Estas sanções comportam um efeito boomerang”, que, segundo o comunista, acabará por atingir a Europa a longo prazo, com especial incidência nos classes sociais mais baixas. “Os grandes capitalistas da Rússia que estão na mira das sanções não vão ser afetados, quem vai ser é o povo. (...) Esta resolução é atirar gasolina para uma fogueira que já atingiu uma dimensão considerável”, diz João Ferreira.

Pedro Silva Pereira: "O PCP escreveu hoje uma das páginas mais negras da sua história"

Para o eurodeputado socialista Pedro da Silva Pereira, "a verdadeira razão" do voto contra do PCP está inscrita no comunicado divulgado pelo partido. O membro do PS explica que os comunistas recusam "a condenação da Rússia por esta agressão brutal que está a fazer à Ucrânia” por acreditarem que esta é justificável, sendo uma intervenção militar em resposta ao golpe de Estado de 2014, quando milhares de ucranianos saíram à rua e acabaram por fazer cair o presidente Víktor Yanukóvytch, após meses de protestos e confrontos com as autoridades, naquilo que ficou conhecido como "Revolução Laranja".

Silva Pereira, também na CNN Portugal, disse que o PCP ficou do "lado errado da história" e "escreveu uma das páginas mais negras da sua história". O eurodeputado do socialista classifica a invasão russa como uma "agressão brutal, violadora do direito internacional e que se inscreve numa lógica imperialista".

O PCP votou esta terça-feira contra a resolução do Parlamento Europeu de condenação da Rússia pela invasão à Ucrânia. Foram mais de 600 votos a favor, 26 abstenções e 13 votos contra, entre os quais dois do PCP, quatro dos liberais, um dos verdes e um da extrema-direita. 

Em comunicado, o PCP justifica o seu voto afirmando que a resolução aprovada dá "força à escalada", "procura impor uma visão unilateral" e "dá cobertura ao colossal processo de aumento de despesas militares, ao reforço e alargamento da NATO e à militarização da UE".

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