Número de ogivas nucleares ainda está bem longe de Estados Unidos e Rússia, mas o objetivo é praticamente duplicá-lo em quatro anos
As ambições militares da China estão a crescer e não parece haver uma intenção de travar isso. É o que acham os Estados Unidos, que estão preocupados com o mais recente relatório do Pentágono, que aponta para a colocação de mais de 100 mísseis balísticos intercontinentais em três campos de silos.
A mesma avaliação, que é avançada pela agência Reuters, indica que não há qualquer vontade da China em entrar em conversações para controlar a escalada armamentista.
Bem pelo contrário, já que se verifica uma expansão e uma modernização do stock de armas da China, que os Estados Unidos dizem estar a avançar no seu arsenal mais rapidamente do que qualquer outra potência nuclear.
Para Pequim, todas estas notícias não passam de tentativas de “manchar e difamar a China e enganar deliberadamente a comunidade internacional”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, até já disse que pretendia trabalhar num plano para desnuclearizar China e Estados Unidos, mas Pequim parece ter pouco interesse nisso.
É que o documento obtido pelo Pentágono aponta que não há qualquer interesse da China em negociar um acordo parecido com o New Start, que Estados Unidos e Rússia vêm trabalhando para tentar limitar o poderio nuclear.
“Continuamos a não ver qualquer apetite da China em adotar medidas ou discussões mais compreensivas sobre o controlo de armas”, pode ler-se no relatório.
E é precisamente aí que se dá conta do destacamento de mais de 100 DF-31, mísseis balísticos intercontinentais que a China colocou na fronteira com a Mongólia, onde construiu um dos últimos campos de silos.
Apesar da ameaça, os Estados Unidos acreditam que o armazenamento nuclear da China ainda está abaixo das 600 ogivas - bem longe das mais de cinco mil que EUA e Rússia têm cada, de acordo com a Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (ICAN) -, o que reflete uma “taxa de produção baixa quando comparada com os anos anteriores”.
Em todo o caso, Pequim quer esticar o seu arsenal, apontando como objetivo as mil ogivas já em 2030, o que faz parte da sua adesão a uma “estratégia nuclear de autodefesa”.
Por outras palavras, e como fazem as outras potências, são armas de dissuasão e não de ataque.
Mais séria e premente parece ser outra ameaça, a da invasão a Taiwan. O mesmo relatório indica que a China continua a preparar-se para isso mesmo, “esperando-se que possa ser capaz de combater e ganhar a guerra no fim de 2027”.