Exportações de petróleo e gás natural até aumentaram, mas o resto do setor das exportações apresenta sinais perturbadores
A Rússia parece ter entrado numa espécie de Lei de Murphy em que tudo está a correr mal, sendo que nem uma coisa que até podia ser boa à partida ajuda o Kremlin.
Se é verdade que nem sempre a valorização da moeda de um país ajuda a economia, aquilo que está a acontecer na Rússia é mau de todas as formas. Depois de ter afundado de forma drástica, o rublo atingiu o seu valor mais elevado em três anos, em grande parte devido aos desequilíbrios comerciais e às elevadas taxas de juro que o país continua a ter.
Trata-se de um grande revés para os russos, claro, mas sobretudo para a máquina de guerra de Vladimir Putin, já que um rublo forte poderá acabar por prejudicar as exportações russas, incluindo as grandes fontes de receita que provêm do petróleo e do gás natural.
De acordo com o Financial Times, a moeda russa subiu tanto que está agora a cerca de um quinto de dólar ou euro, numa subida que coincidiu com a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, levantar algumas das sanções aplicadas ao petróleo da Rússia depois da crise energética provocada pela guerra no Irão.
Quase de forma irónica, as exportações de petróleo aceleraram decisivamente, mas a subida da moeda foi de tal forma abrupta que todos os outros produtos da Rússia se tornaram menos competitivos, o que se torna particularmente negativo numa economia tão dependente das vendas externas.
Se formos ver os dados de 2024, as exportações contribuíram com cerca de 430 mil milhões de dólares para a economia da Rússia, cujo Produto Interno Bruto (PIB) desse ano ficou cifrado em cerca de dois biliões de dólares. O mesmo é dizer que as exportações representaram quase 25% do que a economia russa produziu, pelo que se percebe o peso que o setor tem no país.
De resto, este cenário não é novo para o Kremlin, até porque o próprio Vladimir Putin admitiu já este mês que um “rublo forte” é uma das coisas mais “tristes” que podem acontecer à economia russa.
E se as exportações do setor energético funcionam, o mesmo não se pode dizer do ferro, aço, dos fertilizantes ou do trigo, também cruciais para colocar a funcionar a engrenagem que ajuda a pagar uma guerra que já está no seu quinto ano.
“O rublo está a ficar mais forte e a matar as nossas exportações, além das restrições já existentes: logística, segurança, sanções, etc”, admitiu em declarações a uma rádio russa Alexander Shokhin, presidente de um dos principais grupos de lóbi da Rússia.
Juntando tudo isto a um país com taxas de juro elevadíssimas e com outros problemas estruturais, percebe-se facilmente como a Rússia está à beira da estagnação, o que pode ser um problema decisivo na decisão de continuar a guerra na Ucrânia.
