"Somos um alvo no ar". A tática dos pilotos ucranianos que resistem a um inimigo mais poderoso nas batalhas aéreas

13 abr, 22:38
MiG-29 da Força Aérea da Ucrânia (AP)

"Precisamos de estar tecnicamente em pé de igualdade com os russos. Só a nossa vantagem mental não é suficiente para lutar contra estas tecnologias", explicou um piloto da Força Aérea ucraniana

Apesar da superioridade numérica e tecnológica da aviação russa, os pilotos ucranianos têm conseguido nivelar as batalhas aéreas nos céus do seu país. Dada a relutância do Ocidente em estabelecer uma zona de exclusão aérea sobre a Ucrânia, não há outra alternativa para estes combatentes: têm de enfrentar um inimigo mais capaz.

"Estamos prontos para sermos mortos. Mas é óbvio que não queremos isto. Queremos matar russos e abater os seus bombardeiros que estão a destruir as nossas cidades e matar as nossas famílias", diz “Juice”, de 29 anos, ao Washington Post.

Este piloto combate num MiG-29, um avião desenvolvido e construído no tempo da União Soviética. A diferença face aos novíssimos Sukhoi su-57, introduzidos em 2020, é gritante. Desde os primeiros dias da guerra que Volodymyr Zelensky tem pedido aos aliados ocidentais caças para ajudar a repelir o inimigo russo. A Polónia voluntariou-se para fornecer MiG-29, a Eslováquia considerou a opção. Mas “Juice”, nome de código, refere que esta ajuda não chegaria, dada a diferença tecnológica entre os equipamentos, que faz dos caças ucranianos “meros alvos”.

"Temos perdas quase todos os dias na nossa Força Aérea. Não verás isto na televisão porque tudo é secreto neste momento, mas na verdade temos muitas perdas. É por isso que precisamos de estar tecnicamente em pé de igualdade com os russos. Só a nossa vantagem mental não é suficiente para lutar contra estas tecnologias", explicou ao jornal americano.

O General na reforma Herbert “Hawk” Carlisle, da Força Aérea dos EUA, dá razão a este argumento.

"Penso que os ucranianos têm razão – és basicamente um alvo no ar se não tens nenhuma dessas capacidades modernas. Não se trata apenas de um avião lá em cima. É preciso ter todo aquele equipamento sofisticado para o tornar realmente uma plataforma aérea viável".

Vários países defendem que os MiG-29 são os únicos aviões viáveis para fornecer dado que os ucranianos já estão habituados a estes. Contudo, “Juice” e “Nomad”, outro piloto, defendem que a curva de aprendizagem não é assim tão grande, assegurando que levaria provavelmente duas semanas até aprenderem a manusear os caças da série F.

Ao Washington Post, “Juice” afirma que a luta não é justa, e diz que evita muitas vezes os adversários para sobreviver.

“Estamos apenas a tentar fazer algo atípico, algumas vezes é-se bem-sucedido e outras vezes não. Por vezes, são apenas estúpidos e os russos estão apenas a mostrar a sua incompetência e a subestimar a nossa formação. Mas, no geral, não podemos ganhar contra uma verdadeira superioridade aérea, infelizmente".

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