Sem equipamentos para combater o frio, soldados russos começam a desertar na Ucrânia

CNN
17 nov, 19:12
Tropas russas guardam uma entrada da central nuclear Kakhovka, no rio Dnieper, no sul da Ucrânia, a 20 de maio de 2022

Várias mulheres de militares russos têm vindo a denunciar a existência de prisões improvisadas em cidades como Staromlynivka, Rubizhne, Kremina, Dokuchaevsk ou Perevalsk, onde os soldados não têm quaisquer condições de sobrevivência

Com o aproximar do inverno, começam a surgir os primeiros relatos de deserções de soldados russos por falta de condições e equipamento para combater o frio. De acordo com o jornal El Mundo, alguns rendem-se quase sem dar luta aos ucranianos e outros são detidos pelos seus próprios camaradas ao abandonarem as posições na frente de combate.

É o caso de cerca de 30 sobreviventes do regimento 359, que dizem ter sido abandonados pelos seus comandantes na margem esquerda do rio Dniepre com ordens para repelir um ataque de artilharia armados apenas com armas de fogo AK47. Como consequência, acabaram por ser "esmagados" por ataques de precisão guiados por drones, registando várias baixas.

Na cidade ocupada de Zaitsevo, localizada na região de Lugansk, que faz fronteira com a Rússia, cerca de 300 prisioneiros foram trancados numa prisão improvisada, que mais não é do que o sótão de uma casa. De acordo com o jornal russo independente ASTRA, que cita uma das mulheres destes soldados, foram presos por se recusarem a regressar à frente de combate, onde não têm as mínimas condições de sobrevivência, sendo mesmo obrigados a partilhar uma refeição por cinco ou seis militares. 

Um outro jornal russo independente, o Meduza, relata que o exército ucraniano está a castigar severamente os soldados que se recusam a lutar, torturando-os e privando-os de comida até que concordem em regressar à frente de combate. Alguns dos soldados detidos estavam posicionados na linha defensiva entre Svatove e Kremina, em plena ofensiva ucraniana. No passado dia 20 de outubro, foram alvo de bombardeamentos ucranianos dia e noite, debaixo de temperaturas negativas, mas sem receber comida, munições ou qualquer acesso a comunicações com os seus oficiais. Oito dias depois, abandonaram as trincheiras e, depois de um dia inteiro a caminhar, conseguiram chegar a Starobilsk, na fronteira com a Rússia, onde acabaram por ser detidos e encontraram outros grupos de prisioneiros de Kolomyichykha.

Várias mulheres de militares russos têm vindo a denunciar a existência de outras prisões improvisadas em cidades como Staromlynivka, Rubizhne, Kremina, Dokuchaevsk ou Perevalsk, uma rede de prisões que se estende pelos territórios ocupados de Lugansk e Donetsk. Confinados naquele espaço, estes soldados não sabem quanto tempo ficarão ali, uma vez que o objetivo dos oficiais é obrigá-los a combater custe o que custar.

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