Quem é Olena Zelenska, a primeira-dama ucraniana que também resiste aos russos

5 mar, 13:00

Cresceu sempre ao lado de Volodymyr Zelensky, mas foi já em adultos que se encontraram. Traçamos um perfil da mulher de armas que também resiste às tropas russas

Volodymyr e Olena, presidente e primeira-dama da Ucrânia, resistem com os filhos no país à invasão russa (a localização da mulher e dos filhos não é sabida, mas ele garante que estão na Ucrânia). Mas quem é esta mulher, que juntamente com Zelensky, forma o casal mais jovem de sempre à frente do país (chegaram ao Palácio Mariyinsky em maio de 2019, quando ambos tinham 41 anos)?

Nascida Olena Kiyashko, que a partir de 2003 adotou o nome Zelenska, formou-se em arquitetura, mas foi como argumentista que começou a carreira, escrevendo vários textos para o grupo de comédia que catapultou Volodymyr Zelensky para a fama. De resto, os destinos de ambos sempre estiveram próximos. Ele nasceu no fim de janeiro de 1978, ela no início de fevereiro do mesmo ano, ambos na cidade de Kyvyi Rih, no centro da Ucrânia. Ainda assim, só se viriam a conhecer na Universidade Nacional da mesma localidade.

Foi para lá que Olena foi estudar arquitetura, no Instituto de Economia, curso que acabou em 2000. Mas cedo virou as atenções para a escrita, profissão que ainda segue, fundando com o marido a Studio Kvartal 95, empresa de produção de conteúdos televisivos.

Foi nessa profissão que contribuiu para a criação da série “Servo do Povo”, na qual Volodymyr Zelensky era protagonista, desempenhando o papel de um professor de história que acaba por se tornar presidente da Ucrânia após um discurso contra a corrupção se tornar viral.

Oito anos depois de começar a namorar com Volodymyr, Olena casa-se, em 2003. Um ano mais tarde, dá à luz Oleksandra, seguindo-se Kyrylo, em 2013. Mesmo com a invasão, os quatro mantêm-se unidos, e Zelensky já fez saber que entende esta guerra como pessoal, afirmando-se como alvo número um da Rússia, seguindo-se a mulher e os filhos.

A (indesejada) chegada a Kiev

Olena ganha protagonismo a partir de 2019, com a chegada do marido à presidência. Nesse ano, aparece na capa da Vogue ucraniana, e é considerada pela revista uma das mulheres mais influentes do país.

Curiosamente, anos antes, afirmou numa estação de televisão local que começou por se opor “agressivamente” contra os planos de Zelensky para se tornar presidente.

“É uma jogada muito difícil. Nem sequer é um projeto, é uma outra direção na vida”, disse, na altura, confirmando o episódio à Vogue, quando deu a entrevista, seis meses depois de se tornar primeira-dama.

Em tom de piada, lembrou que foi pela comunicação social que ficou a saber da candidatura do marido. Quando os dois se encontraram, perguntou-lhe: “Porque não me disseste”, ouvindo como resposta um “Esqueci-me”. Mais a sério, confessou que era já uma hipótese que ambos vinham a discutir.

Acabou por se conformar, mas, apesar de ter saltado para a popularidade, manteve as suas principais caraterísticas que, de resto, contrastam com a personalidade do marido.

“Prefiro ficar nos bastidores, estou mais confortável na sombra, ao contrário do meu marido, sempre na frente. Não sou a vida da festa, não gosto de contar piadas”, disse à Vogue.

A revista não esquece o que a primeira-dama tem feito, e relembrou a publicação com Olena para afirmar orgulho no presidente.

Uma primeira-dama de causas

Olena percebeu que a sua ascensão poderia ser utilizada para boas causas, nomeadamente sociais, passando a utilizar a sua presença para lutas como a igualdade de género e a estabilidade das crianças. Foi o que fez em dezembro de 2019, quando, com apenas meio ano como primeira-dama, e após um discurso no terceiro Congresso da Mulher Ucraniana, conseguiu incluir a Ucrânia na Parceria de Biarritz, uma iniciativa internacional do G7 que tem como objetivo promover a igualdade de género.

Mesmo sem se imiscuir nas decisões do marido, conseguiu influenciar a melhoria da qualidade e da variedade da alimentação nas escolas, onde também defendeu a promoção da língua nacional.

A veia humanista ganhou mais força com o efetivar da entrada russa em solo ucraniano. À imagem do marido, tem utilizado várias vezes as redes sociais para chamar a atenção dos problemas causados pela guerra, defendendo duas das populações às quais tem dado mais atenção: mulheres e crianças.

Através do Instagram, partilhou a fotografia de uma criança que nasceu num abrigo da cidade de Kiev, algo que “deveria ter acontecido em condições completamente diferentes, debaixo de um céu pacífico”.

Olena aproveita essas publicações para exultar o povo, a quem pede que se continue a lutar: “Nós somos o exército, o exército somos nós. E as crianças que nasceram em bunkers vão viver em paz num país que se defendeu a si próprio”.

Numa publicação posterior, partilhou uma imagem de uma mulher fardada com as cores do exército, lembrando que a Ucrânia tem mais dois milhões de mulheres do que homens, sendo que muitas delas se juntaram às forças armadas para ajudar no combate aos russos: “Admiro-vos tanto, minhas incríveis compatriotas”, disse, estendendo os elogios a todos os que continuam a operar nos serviços essenciais.

“Estou orgulhosa de viver convosco no mesmo país. Não vou ter pânico nem verter lágrimas. Vou estar calma e confiante. Os meus filhos olham para mim, vou estar perto deles e do meu marido e de todos vós. Amo-vos! Amo a Ucrânia”, escreveu numa outra publicação.

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