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Putin pode arrepender-se da invasão da Ucrânia. Eis a conversa secreta entre Xi e Trump que pode ensombrar uma nova visita à China

19 mai, 09:11
O presidente da China, Xi Jinping e o presidente dos EUA, Donald Trump, visitam o Jardim de Zhongnanhai a 15 de maio de 2026, em Pequim, China. Evan Vucci / POOL / AFP via Getty Images
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Conversa sensível é conhecida a horas da chegada do presidente da Rússia à China

As mesmas crianças que maravilharam o presidente dos Estados Unidos enquanto agitavam bandeiras no centro de Pequim para saudar a chegada de Donald Trump preparam-se para fazer o mesmo esta semana, ainda que substituindo os símbolos norte-americanos por russos.

Ensaios à parte, a reunião entre os presidentes de China e Estados Unidos pode ter um irritante à boleia da manchete do Financial Times.

De acordo com o jornal britânico, Xi Jinping confessou a Donald Trump durante o encontro que ambos tiveram em Pequim que Vladimir Putin pode vir a arrepender-se da invasão da Ucrânia, numa altura em que a Rússia está a perder a dinâmica na linha da frente, ao mesmo tempo que a pressão interna à volta do Kremlin começa a fazer-se sentir.

O Financial Times cita várias fontes com conhecimento da análise feita pelos Estados Unidos à cimeira de dois dias em Pequim, e na qual Xi Jinping não deixou a Ucrânia de lado, enquanto Donald Trump sugeriu que os três países, nomeadamente através dos seus líderes, deviam juntar esforços contra o Tribunal Penal Internacional.

De acordo com a agência russa TASS, que cita o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, esta informação é "ficção pura". Guo Jiakun reiterou ainda que esta informação "contradiz os factos".

Os comentários e o nível de envolvimento do presidente da China marcam uma viragem na posição de Pequim, que tem optado sempre por manter uma posição ambígua em relação à guerra na Ucrânia.

De resto, e também segundo o Financial Times, Xi Jinping já tinha falado com Joe Biden sobre esta mesma guerra de forma “franca e direta”, mas nunca ofereceu a sua visão pessoal do que se estava a passar no terreno.

Esta revelação ganha particular importância a horas da chegada de Vladimir Putin à China, o grande aliado de um Kremlin cada vez mais isolado que agora parece também estar frágil aos olhos de Pequim.

De recordar que a invasão que a Rússia lançou na Ucrânia, em fevereiro de 2022, ocorreu três semanas depois de uma visita de Vladimir Putin à China, onde, em conjunto com Xi Jinping, anunciou uma parceria “sem limites”.

Com o reforçar dos contra-ataques da Ucrânia contra a Rússia e a notícia de que a atual vaga é favorável a Kiev, a aparente dúvida de um aliado como a China pode ser um novo e importante baque na confiança de Moscovo.

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