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Putin e Macron voltam a falar quase três anos depois. Em cima da mesa estiveram "novas realidades territoriais" na Ucrânia

1 jul 2025, 19:03
Putin e Macron reunidos no Kremlin Foto: EPA

Presidente da Rússia fez saber ao homólogo francês as suas exigências, numa conversa com cerca de duas horas em que o conflito entre Israel e o Irão também foi tema

Quem não se lembra daquela icónica imagem da interminável mesa que Vladimir Putin escolheu para se sentar com Emmanuel Macron? Foi uma jogada de poder do presidente da Rússia, mas a distância entre os dois estava apenas a começar.

Esse encontro aconteceu a poucos dias de Vladimir Putin ordenar a invasão total da Ucrânia, traçando uma nova cortina de ferro com o Ocidente.

Esta terça-feira os dois presidentes voltaram a falar, quase três anos depois da última vez em que o fizeram, que aconteceu em setembro de 2022.

De acordo com o Kremlin, e como quase sempre acontece neste tipo de chamadas, houve uma conversa “substancial” entre as duas partes. Cerca de duas horas a falar sobre a Ucrânia, claro, mas também sobre o conflito entre Israel e o Irão.

Do Eliseu diz-se que Emmanuel Macron pediu um cessar-fogo e o início de negociações concretas para alcançar o fim do conflito na Ucrânia.

Um tema que parece menos relevante na agenda do Kremlin, que começou por destacar da chamada aquilo que se disse sobre o Médio Oriente.

E o que Vladimir Putin quis fazer ver a Emmanuel Macron é que é necessário respeitar o direito do Irão a ter energia nuclear, desde que continue a respeitar as suas obrigações consagradas no Tratado de Não-Proliferação Nuclear.

O presidente francês concordou que o Irão tem direito a ter energia nuclear, mas avisou que isso só é aceitável a nível energético, nunca a nível militar. De recordar que o Irão continua a negar uma investigação para o desenvolvimento de uma bomba nuclear, sendo que os ataques de Israel e Estados Unidos ao país islâmico foram justificados com a necessidade de destruir o programa que trabalha nesse sentido.

À margem da razão de cada um, Emmanuel Macron quer que o Irão coopere totalmente com a Agência Internacional de Energia Atómica, sendo que o parlamento iraniano já veio aprovar uma lei que revoga os acordos entre as partes.

Por isso mesmo, França está “determinada em procurar uma solução diplomática que leve a uma solução duradoura e rigorosa do problema nuclear, da questão dos mísseis do Irão e do seu papel na região”, pode ler-se no comentário.

Sobre a Ucrânia, os presidentes de dois dos cinco países com assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas encontraram maiores pontos de divergência.

Vladimir Putin reiterou a Emmanuel Macron que a guerra é uma “consequência direta da política do Ocidente”, que o presidente russo acusa de ter “ignorado os interesses securitários da Rússia” ao longo dos últimos anos.

Um acordo de paz é possível, claro, mas para o Kremlin isso significa um compromisso “compreensivo e de caráter global”. O que quer isso dizer? Tão somente a parte mais relevante de toda a conversa: Vladimir Putin explicou a Emmanuel Macron que a Rússia exige a aceitação de “novas realidades territoriais”.

E que realidades são essas? Fica a dúvida, mas é provável que o presidente russo se estivesse a referir às quatro regiões ilegalmente anexadas em 2022: Lugansk, Donetsk, Zaporizhzhia e Kherson.

“O presidente enfatizou o apoio inabalável de França à soberania e integridade territorial da Ucrânia”, garante o Eliseu.

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