Putin diz que ele é um herói: breve perfil de Aleksandr Dvornikov, que liderou a brutal intervenção russa na Síria e que agora é o novo líder do ataque à Ucrânia

9 abr, 16:24

Foi promovido a general em 2020 depois do que fez na Síria

A Rússia substituiu o líder das operações militares na Ucrânia, que passam agora a ser comandadas pelo general de 60 anos Aleksandr Dvornikov. A notícia foi avançada pela BBC, que cita um oficial de um país ocidental.

"Este comandante em particular tem uma grande experiência de operações, adquirida na Síria. Por isso, esperamos que o comando e o controlo global melhorem", disse a fonte.

Nascido no extremo-oriente do país, Dvornikov alistou-se no exército soviético em 1978 e estudou na Escola Superior de Comando Militar de Moscovo, uma das mais prestigiadas das Forças Armadas russas.

Após a queda da União Soviética, Dvornikov foi destacado um pouco por todo a Rússia. Foi vice-comandante do Distrito Militar do Leste e chefe do Estado-Maior do Distrito Militar Central, até chegar a comandante do Distrito Militar do Sul, que abrange sobretudo a região do Cáucaso Norte, muito perto da Ucrânia.

O papel de maior destaque foi-lhe atribuído por Vladimir Putin em 2015, quando o nomeou como primeiro comandante das Forças Armadas russas na Síria, durante a intervenção militar da Rússia no país, que serviu de teste para armamento em desenvolvimento. Em 2021, o ministro da Defesa, Sergei Shoigu, revelou que os russos testaram “cerca de 320 armas” na Síria. “Na verdade, analisámos todas as armas, excepto as versões de fácil manuseamento", disse, citado pelo El País.

A crueldade das operações e bombardeamentos, especialmente em Aleppo, parecem ter agradado ao Kremlin, tendo sido promovido por Putin a general em 2020 e agraciado com o título de “Herói da Federação Russa”.

Com esta mudança, o presidente russo espera ficar mais perto de obter a vitória no dia desejado, a 9 de maio, data em que se comemora o Dia da Vitória sobre a Alemanha na II Guerra Mundial. Contudo, o oficial que revelou a troca à BBC manifesta dúvidas.

"A menos que a Rússia seja capaz de mudar as suas táticas, é muito difícil ver como é que eles serão bem-sucedidos, mesmo nestes objetivos limitados que eles próprios redefiniram", disse o funcionário.

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