Agora são ataques "direcionados e coordenados" que Kiev está a lançar contra Moscovo
Durante meses a Rússia teve de se habituar a ver refinarias a arder e a fazer constantes mudanças de planos para garantir que ia continuar a ter combustível. Foi tudo parte de uma estratégia de longo prazo da Ucrânia, que insistiu no lançamento de drones contra um dos maiores motores da economia de guerra do Kremlin, o petróleo.
Cumprido o objetivo de deixar em pânico o setor energético da Rússia - e ainda com o bónus de provocar o descontentamento nas sociedades de Moscovo ou São Petersburgo -, Kiev está agora a mudar o plano.
De acordo com o Financial Times, os estrategas militares da Ucrânia têm agora outro foco que vai para lá da indústria energética da Rússia. O alvo agora são ainda as petrolíferas, mas em concreto os locais de produção de componentes críticos, muitos deles mais difíceis de substituir.
Estrategas, operadores de drones e especialistas em energia admitem que o objetivo deixou de ser causar o caos com incêndios constantes e arbitrários em refinarias ou a destruição de petroleiros, passando agora para ataques que permitam que as centrais fiquem totalmente desconectadas da rede, o que também implica maiores custos para Moscovo.
Tudo isto faz parte da nova estratégia de campanha de ataques profundos na Rússia, um plano que foi diretamente atribuído por Volodymyr Zelensky ao novo ministro da Defesa da Ucrânia, Yevhenii Khmara, que precisa de começar a mostrar resultados para tentar afastar a contestação surgida nas ruas depois da saída de Mykhailo Fedorov.
São ataques “direcionados e coordenados” de forma meticulosa, como refere um membro de uma das unidades de ataque em profundidade ao Financial Times.
O próprio Yevhenii Khmara garantiu que está a trabalhar de perto com o novo chefe das Forças Armadas, Mykhailo Drapatyi, em planos que permitam “mobilizar a guerra o mais possível para o território do agressor”.
“A Ucrânia vai continuar a exercer pressão tecnológica e de choque sobre a Rússia com todos os meios”, garantiu o ministro da Defesa, que quer mesmo “aumentar” esta capacidade já demonstrada por Kiev.
Em vez de atacarem de forma quase indiscriminada com o propósito único de deixar uma refinaria a arder, as unidades de drones recebem agora briefings detalhados de engenheiros e especialistas da indústria energética. São eles que lhes explicam onde e como atingir os pontos mais nevrálgicos das operações nas petrolíferas russas, o que permite ataques mais precisos e, por isso, mais difíceis de debelar.
“Estes oleodutos aqui ou esta chaminé, atinjam este local ou este equipamento de conexão, ou esta caixa” são algumas das instruções que os operadores de drones ouvem por estes dias.
São mísseis planeadas com objetivos múltiplos e opções de contingência que permitem uma maior capacidade à Ucrânia. Caso os operadores de drones não consigam atingir os alvos primários, a instrução passa a ser dirigida a alvos secundários e até terciários.
O comandante das Forças de Sistemas Não-Tripulados confirmou que os ataques às refinarias fazem parte de uma maior campanha direcionada a desmantelar a rede que sustém, em grande parte, o esforço de guerra da Rússia.
“O objetivo é claro: primeiro destruir as fontes que financiam a guerra de Putin, em segundo destruir o complexo militar-industrial que fornece o Exército ocupante com armas”, afirma Robert Brovdi, citado pelo Financial Times.
A eficácia desta nova estratégia promete ser uma dor de cabeça ainda maior para o presidente da Rússia, que já admitiu várias vezes que os ataques ao setor energético estão a dificultar a situação ao país.
