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Kremlin diz que Putin pode pôr fim à guerra num só dia - mas para isso há condições difíceis de aceitar

2 jun, 12:44
Vladimir Putin durante o Dia da Vitória (Alexander Nemenov/AP)
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Rússia acusa a Ucrânia de não contribuir para um bom ambiente negocial

A Rússia está disposta a acabar a guerra num dia caso a Ucrânia cumpra determinadas exigências, mas o que o Kremlin pede dificilmente será bem visto em Kiev.

De acordo com o porta-voz da presidência russa, a saída das Forças Armadas da Ucrânia das regiões que a Rússia vê como suas precipitaria o fim da guerra.

“Sobre [Volodymyr] Zekensky e acabar a guerra no final do ano… A guerra podia acabar no fim do dia”, atirou Dmitry Peskov, para depois dizer que isso acontecerá, sim, mas só se a Ucrânia abdicar de Donetsk, Kherson, Lugansk e Zaporizhzhia, as regiões que a Rússia anexou num referendo não reconhecido internacionalmente.

Daquelas quatro regiões apenas Lugansk está claramente sob domínio russo, faltando apenas algumas pequenas parcelas de território para a conquista total. Mais difícil está a situação em Donetsk, centro de tudo praticamente desde o início da guerra e atual palco de um impasse em toda a linha da frente.

Já os outros dois casos, de Kherson e Zaporizhzhia, são diferentes: primeiro porque a Rússia só reclama essas regiões desde o tal referendo de 2022, enquanto Donetsk e Lugansk são objetivos declarados desde 2014; em segundo porque aquelas regiões estão praticamente divididas ao meio, com cada lado a ter uma importante parcela.

“Já o dissemos várias vezes e o presidente falou sobre isto quando falou aos responsáveis do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Para alcançar isto, Zelensky precisa de ordenar a retirada das suas Forças Armadas do território das regiões russas”, reiterou Dmitry Peskov, que acusou a Ucrânia de arrastar o processo e recusar negociações de paz genuínas e sérias.

Em todo o caso, e segundo o Kremlin, mesmo que a Ucrânia não abdique a Rússia vai conseguir os seus objetivos para esta operação militar, ainda que o caminho da paz seja preferível.

“Repetimos: continuamos abertos a negociações de paz”, terminou Dmitry Peskov, que não deixou de notar que a Rússia também exige a renúncia da Ucrânia à NATO, na lógica que Moscovo uma das chamadas causas-razízes.

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