Europa foi até Moscovo dizer à Rússia que está pronta para abater aviões no espaço da NATO

26 set 2025, 12:12
Drones

Aumento das violações do espaço aéreo da NATO levou à invocação do Artigo 4. Rússia corre risco de ver os seus drones serem abatidos, mas alguns países temem que esse seja o plano de Putin

A NATO está preparada para responder a novas violações do espaço aéreo com toda a força, incluindo o abate de aviões russos, e o Kremlin já foi avisado por diplomatas europeus, segundo a Bloomberg. O aviso foi dado numa reunião tensa em Moscovo por enviados britânicos, franceses e alemães, depois da incursão de três caças MiG-31 sobre a Estónia na semana passada. Após a conversa concluiu-se que a violação tinha sido uma manobra deliberada ordenada por comandantes russos.

Moscovo negou qualquer transgressão e garantiu que os drones não entraram em território estoniano. Relativamente a outro incidente, em que drones atravessaram a Polónia, afirmou tratar-se de um erro. O porta-voz Dmitry Peskov assegurou que todos os voos militares russos seguem as regras internacionais.

As fronteiras do leste da NATO têm registado, ao longo de setembro, várias violações sem precedentes, ao mesmo tempo que Vladimir Putin intensifica os ataques contra infraestruturas civis na Ucrânia e o apoio dos EUA a Kiev começa a enfraquecer.

O Reino Unido já declarou estar “pronto para defender de forma robusta o nosso espaço aéreo contra qualquer incursão”. Outros aliados, incluindo Donald Tusk, da Polónia, apelaram ao abate de drones russos. Porém, o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, alertou que disparar contra aeronaves de Moscovo pode significar cair na “armadilha de escalada” de Putin.

O primeiro-ministro dos Países Baixos, Dick Schoof, assumiu uma posição de apoio ao abate dos drones: “Os russos devem estar conscientes de que isso pode acontecer se entrarem no espaço aéreo da NATO.” Já a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, apelou à cautela, avisando para não se cair na provocação do Kremlin.

Donald Trump pediu esta semana que a Ucrânia recupere todo o território ocupado pela Rússia “com o apoio da União Europeia”, defendendo o papel dos EUA como o de vender armas que os aliados possam enviar para o campo de batalha.

Entretanto, o chanceler alemão, Friedrich Merz, disse estar a coordenar esforços com Paris, Londres e Varsóvia e garantiu apoio a “todas as medidas necessárias”. Emmanuel Macron, em entrevista à France 24, recusou revelar de que forma a NATO responderá a novas incursões. 

Um diplomata russo, por seu lado, referiu em Moscovo que as violações são uma resposta a ataques ucranianos na Crimeia - operações que, segundo o Kremlin, não seriam possíveis sem apoio da NATO. Moscovo considera, portanto, que já está em confronto direto com países europeus. 

A NATO acionou o Artigo 4, que prevê consultas em caso de ameaça, duas vezes este mês, após os incidentes na Polónia e na Estónia. No total, só tinha sido invocado nove vezes desde 1949. A Dinamarca está a estudar um caminho semelhante, numa altura em que os aeroportos do país têm sido afetados pela presença de vários drones, não havendo certezas sobre um envolvimento da Rússia.

Segundo o ministro da Justiça da Dinamarca, Peter Hummelgaard, “a intenção é criar divisão e meter-nos medo”. Acrescentando que “a ameaça de ataques híbridos veio para ficar.” 

O aumento destes ataques alinha-se com a visão de alguns responsáveis de segurança de que um movimento beligerante de Moscovo dificilmente surgiria sob a forma de um ataque convencional contra o Ocidente, mas sim como uma operação híbrida com ambiguidade deliberada sobre a origem e motivações dos ataques.   

O presidente lituano, Gitanas Nausėda, reforçou que “a Rússia está a testar a nossa preparação e o nosso compromisso de retaliar”, defendendo solidariedade e reações rápidas da NATO.  Já o embaixador russo em França, Alexey Meshkov, disse que “se a NATO abater um avião russo sob o pretexto de uma alegada violação, isso será guerra.” 

As incursões também expuseram fragilidades nas defesas do flanco leste. No dia 13 de setembro, um drone russo entrou no espaço aéreo romeno e foi seguido durante 50 minutos por dois caças F-16. A decisão de não o abater, por receio da queda de destroços, gerou fortes críticas. 

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